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Posts Tagged ‘acordo ortográfico’

Ainda lendo o Acordo Ortográfico, descobri algo que aqueles que alegam ter eu problemas com mesóclise com certeza desconhecem.

Mesóclise é, aparentemente, o nome alternativo do fenômeno, mais conhecido como tmese. Isso mesmo. Tmese. Com t mudo.

tmese: s. f. (gr. tmesis, lat. tmese). Gram. Figura que divide o verbo para lhe intercalar o pronome como em dir-te-ei, dar-lho-ia, etc. Separação de dois elementos de uma palavra, pela intercalação de uma ou várias outras palavras.

Por essas bandas (entenda-se: Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cuz e, no presente momento, Brasil) não usamos esse termo, preferindo a alternativa “mesóclise”. O que explica porque, ao ler o Acordo Ortográfico no trecho relativo ao uso do hífen (sempre ele!), causou-me espanto deparar-me com um tópico específico sobre seu emprego na ênclise, na tmese e com o verbo haver.

Ótima palavra para forca, hein?

***

Para quem se preocupa, uma boa notícia: temos até 31 de dezembro desse ano para escrever da forma que aprendemos e só a partir de então essa forma será considerada errada. O detalhe é que em concursos públicos por aí afora já se pede a nova regra e, como falei aqui, se você pretende mandar uma carta/email/telegrama para São Tomé e Príncipe, por favor use a regra nova, porque internacionalmente ela entrou em vigor em janeiro de 2007.

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Hoje eu precisei enviar um email do trabalho falando sobre uma audioconferência realizada à tarde. Comecei a escrever e rolou a dúvida: audio-conferência ou audioconferência? com ou sem hífen? Não sabia responder.

Consultei os universitários aqui da mini-família e, embora nenhum deles soubesse e alguns questionassem meu interesse em saber a grafia adequada, um apresentou uma informação útil: consultar o decreto.

Daí nova dúvida surgiu: qual decreto? O decreto da língua portuguesa, oras! Mas qual o número dele? Com o argumento de busca dos mais bizarros ( “decreto da lingua portuguesa”), Google (sempre ele!) fez surgiu o Decreto nº 6583/08, que promulgou o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa em 16/12/1990.

Ahh o Google...

[Pausa para observações cronológicas.

1- O Acordo Ortográfico foi celebrado pelos países nele mencionados (Brasil inclusive) em Lisboa, em dezembro de 1990.

2- Em abril  de 1995, o Congresso Nacional aprovou o Acordo em questão, e o isntrumento de ratificação foi depositado em 1996.

3- Em 2007 o Acordo entrou em vigor em âmbito internacional.

4- Em 2008 foi editado o Decreto em questão.

Primeira conclusão: se você for escrever uma carta ou email para Portugal com uma mega-idéia sobre uma nova infra-estrutura para estudar os efeitos das microondas, já desde 2007 você deveria estar escrevendo sobre uma megaideia sobre uma nova infraestrutura para estudar os efeitos das micro-ondas.]

Então esse decreto (a exemplo do clássico 2745/98) possui apenas 04 artigos (um dos quais tratando a vacatio legis e outro modulando seus efeitos) e um anexo GIGANTESCO. O anexo é o Acordo.

Comecei a ler. Alfabeto com 26 letras, regras sobre o uso do k, do w e do y; “h” inicial e final; homofonia de alguns grafemas consonânticos, sequências consonânticas; vogais átonas, vogais nasais, ditongos; acentuação de oxítonas, de paraxítonas, “i” e “u” tônicos em oxítonas e paroxítonas, proparoxítonas, acento grave; trema; hífen. Hífen.

Existem inúmeras (e enormes) regras sobre o emprego (ou não) do hífen, cada uma com suas exceções. Logo, ou você decora, ou você decora (se escrever errado não for uma opção e você não tiver o corretor ortográfico adequado instalado em seu computador). Ah, hífen, esse malandro!

A primeira delas fala sobre seu uso em “compostos, locuções e encadeamentos vocabulares”. Segundo o Acordo, guarda-roupa ainda tem hífen (provavelmente pra ele continuar sendo usado para pendurarmos os cabides. Ahn? Ahn?) e Trás-os-Montes também. O primeiro por tratar-se de palavra composta por justaposição cujos elementos possuem significado autônomo. O último por tratar-se de topônimo cujos elementos estão ligados por artigos.

Logo, quanto aos topônimos compostos, os que não tiverem seus elementos ligados por artigo nem tiverem como um de seus elementos uma variação verbal ou o termo grão/grã não terão hífen. O Acordo cita, como exemplos, América do Sul, Belo Horizonte, Cabo Verde, Freixo de Espada à Cinta etc.

Daí eu parei. Voltei um tantinho assim na leitura só pra conferir. Sim, o Acordo falava em Freixo de Espada à Cinta. Um lugar? Ou uma piada, para ver se os representantes dos países estavam atentos? Desconfiei e fui ao Google.

Freixo de Espada à Cinta. Um município português, na divisa entre Portugal e Espanha, com cerca de 4.100 habitantes, segundo a Wikipedia. Lendas variam sobre seu nome, mas achei o brasão bem sugestivo:

 

Tudo isso porque eu precisava saber se audioconferência era com ou sem hífen. E não, não tem hífen, porque segundo o Acordo, trata-se de formação por prefixação com uso de elemento não autônomo não prevista nas hipóteses de hifenização. 😉

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