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Archive for the ‘No post left behind’ Category

Qualquer processo decisório é difícil e nao se pode fazer pouco da pessoa que, subitamente, tem o peso do mundo nas costas.
Engraçado que lassados quase dois anos falar sobre a minha separação ainda é difícil. Trato esse assunto como um tabu pessoal – superado apenas pelos relatos da primeira comidinha básica e descompromissada. E por tratar de tal forma, nunca havia enxergado a situação com imparcialidade, nunca havia digerido, dissecado, analisado sob microscópio.
Foi o que fiz hoje em uma catarse muito bem acompanhada por um Stacker triplo, fritas e guaraná, ciente da necessidade de despejar minha tese. Ei-la escrita.

Decidir nao é fácil. Todo mundo casa achando que encontrou a pessoa certa, com quem vai viver ate o fim de seus dias (seus seus ou seus dela). Mas ninguém é bobo de achar que a compatibilidade tende a 100%, o que torna o casamento um negocio arriscado, regido por probabilidades. Qual a probabilidade de você encontrar alguém mais compatível? Se pequena, casa-se; se grande, pessoas sensatas nao casam, mas os loucos de todo gênero sim.
Se de repente você acha que a probabilidade aumentou, ou se você se descobre louco e resolve corrigir o erro, entao você tem a difícil tarefa de falar pra pessoa – aquela mesma com quem você ficaria ate o fim de seus dias – que talvez você nao queira mais.
Falar isso é difícil. Tão difícil quanto tentar convencer a pessoa e a si mesmo que, uma vez dito, isso pode ficar no ar, sem pairar sobre o relacionamento como bomba relógio.
Geralmente a pessoa nao acredita que seu comentário foi exclusivamente informativo, e você deverá entao decidir. Decidir se continua, decidir se assume o fracasso – sim, a sensação é de fracasso do mais alto nível, aquele que a gente nem sabe que é capaz de sentir. Decidir, enfim, o que fazer com as duas vidas.
A primeira tentativa de solução é recomeçar. Porque nao se engane: assim como revelar uma traição, revelar que você nao sabe mais o que quer NUNCA é esquecido pelo outro. E qualquer declaração desse tipo sugere um recomeço, com novas premissas, uma das quais será “ele me traiu” ou “ela não sabe se me ama”.
Relacionamentos baseados em carinho, respeito, amizade sugerem uma tentativa de recomeço – se você tiver vontade de jogar tudo pro alto imediatamente, entao nao se dê ao trabalho de tentar recomeçar.
E essa é a fase mais difícil. É quando você tem que engolir o lado que diz “corre! foge!” e ouvir o lado que mostra todas as qualidades da outra pessoa e como você foi feliz ate entao. É quando você precisa fazer o esforço consciente de relaxar na presença dela e aceitar que ela te ama e nao tem culpa. É quando você precisa aceitar que aquele peso nas suas costas um dia vai sair – e esse nao será um momento necessariamente feliz.
Terminar um casamento traz uma mudança estrutural. Você perde referencias, você se perde. E demora pra se achar. Demora a nao se sentir culpado. Mentira – você sempre vai se sentir culpado, mas com o tempo a dor diminui. Você se culpa pelas frustrações, pelas expectativas, pelos sonhos, por tudo que você destruiu. Eu nao tenho noção de por quanto tempo meus sorrisos foram falsos, minha alegria foi fingida e minha leveza parecida com a de Ariel (sim, a sereia, mas na história original), porque eu nao lembro como eu cheguei ate aqui.
Decidir é um processo difícil. Triste. Doloroso. Cruel. Injusto. Mas pior do que isso é nao decidir – ou ir levando, a espera que o outro decida. Infelizmente, no meu caso foi mais ou menos o que eu fiz. E disso eu me arrependo até hoje.

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Quem é advogado e trabalha no dia-a-dia com a análise e negociação de contratos deve saber que, quando se trata de contratação internacional, as discussões passam a incluir a escolha do local e da forma de resolução dos conflitos e – também – da lei aplicável.
Pois bem. No Brasil, usando toda a minha esperteza, faço o possível para convencer os gringos que a legislação brasileira é perfeita e cobre todas as lacunas – coisas que só a civil law, com seu positivismo e sua tentativa de exaustão, consegue. E, de quebra, mostrar que nosso Judiciário funciona de forma extraordinária, com velocidade e sabedoria (claro!).
Os gringos – não por tapadez, mas por estranheza – dificilmente aceitam. Puxam a brasa pra sua sardinha (ou a sardinha pra sua brasa?) de forma absoluta, eu reclamo, os chamo de imperialistas, digo que estão tentando colonizar o Brasil, discuto, aponto as falhas na common law, mas nada adianta.
É nessa hora que uma das partes – eu ou eles – sempre sugere a saída salomônica: busquemos uma legislação neutra, um foro neutro e uma forma neutra de resolver os conflitos!

A última parte é tranquila: o melhor jeito de não ficar sujeito aos arbítrios de soberania do Judiciário de qualquer país é escolher a arbitragem. Claro, uma escolha sensata, de uma instituição reconhecida, com notório saber naquela área, que não cobre absurdamente caro, cujo método de cobrança seja razoável para a demanda e o valor da demanda, etc etc etc. Simples!
Existe uma lista mais ou menos pronta na mesa de todo advogado que trabalha com contratação internacional, uma checklist com as instituições reconhecidas, o valor médio da arbitragem, a composição do painel arbitral, dados esses que permitem com maior ou menor certeza a opção pela aparentemente mais adequada. Realmente, simples, direto e objetivo.

Escolher o local de resolução de conflito é um tantinho mais complicado porque, afinal, é a lei desse local que vai reger a possibilidade de você conseguir a chamada “injunctive relief”, buscando assegurar que a arbitragem não vá te deixar na mão (fumus boni iuris e periculum in mora existem de certa forma também em common law, eles também se amarram em latinismos, embora o sotaque deles seja engraçado). Então você analisa: a lei do local X é mais ou menos favorável à essas cautelares? e será que ela vai ser favorável ao pedido de qual parte? Por esse motivo, dificilmente as partes vão gostar de conduzir a arbitragem no quintal do outro – e por esse exato motivo eu tento convencer o outro lado que o Brasil vê com muita tranquilidade a arbitragem: além de ser verdade, nada como estar em casa, falando a sua língua com o árbitro nos intervalos, usando conhecimentos particularizados culturais típicos, na tentativa de desestabilizar psicologicamente a outra parte (pausa para gargalhada maquiavélica).
Simples. Mas menos do que escolher a instituição.

Aí a gente chega na parte mais tensa e, também, mais importante: escolher a lei de regência.
As partes têm autonomia para escolher a lei, mas dependendo da lei que você escolha a operação pode ser considerada nula, inválida, o contrato pode não existir, a sua obrigação pode ser aumentada ou diminuída, você pode estar mais confortável numa sala com ar condicionado ou bem desconfortável respondendo a questionamentos do auditor sem direito a um copo de água (e eu estou falando em auditoria interna, não entrei em méritos de Ministério Público do Trabalho e afins existentes nos diversos países, se for o caso).

Por isso é claro que na hora de escolher a lei você vai, também, tentar mostrar como a sua é bonita, simpática, e como ela atende plenamente e de forma imparcial o interesse de ambas as partes. O fato de ser a lei que você conhece e que o outro nunca viu na vida é um detalhe – afinal, qual a dificuldade em conhecer a legislação civil brasileira? E ele sempre pode contratar um escritório daqui!
Estranhamente esse argumento não cola, independentemente de quem o use – nós ou eles. E aí surge a dificuldade em catar (sim, catar, porque é isso que a gente faz, é um processo tenso, você consegue ver os advogados descabelando-se, livros abertos, navegadores abertos, consultando como determinado país se posiciona) uma legislação aplicável.

De cara matam-se a da outra parte (porque você vai pedir) e a sua (porque a outra parte vai pedir).

Problema é que no Brasil é mais ou menos fácil: nosso federalismo dá certa independência aos estados, mas a União é responsável pela edição e tratamento dos temas polêmicos. Ou seja, só há um Código Civil. Não perca tempo buscando um código civil do estado de São Paulo.

Mas aí eu me deparo com um problema sério: nos Estados Unidos não há nenhum apego às leis (é um laissez-faire judicial chocante para nós, civilistas) e o federalismo permite que, com certa reserva, cada estado atue com independência. Eles acreditam piamente no sistema de precedentes, acreditam que a justiça evolui de acordo com a sociedade, e que, por esse motivo, deveria caber aos juízes interpretar a norma genérica. O comando normativo é o mais genérico possível, e você se prende à interpretação que o Judiciário vem dado aquele comando ao longo do tempo. São livros e livros e livros e tomos e tomos de precedentes, analisando-os, destrinchando-os.

Além disso, para eles o contrato é um acordo financeiro, em nada se relacionando a um cumprimento moral. Obrigação contratual não tem relação com honra, mas com dinheiro (vide Posner e sua teoria de inadimplemento econômico – sendo Posner um juiz da Suprema Corte). Inadimplir o contrato não é uma falha de caráter punível com seppuku, mas quase uma faculdade das partes. Desde que o inadimplemento – óbvio – não seja a falta de pagamento.

E tudo isso dificulta a escolha da lei aplicável, porque quando você negocia com uma empresa norte-americana você não afasta, de cara, a lei de todos os outros estados.

Eu sugeriria jogar essa arbitragem do outro lado do mundo, com lei do outro lado do mundo, 3 árbitros no mínimo, negociação prévia mediada pela instituição. Com alguma sorte, isso vai sair potencialmente tão caro que eles vão gostar de usar a lei brasileira. Mas – claro – não é isso que eu faço. Eu cato a legislação adequada, eu mergulho em livros, eu busco precedentes. E quase sempre continuo com a dúvida se a minha escolha não vai ser a responsável pelo prejuízo. Fosse o Brasil como os Estados Unidos, eu poderia impor nossa lei, nossa minuta, nosso Judiciário. Droga.

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Tem passado na tv a propaganda de um enxaguatório bucal. Não lembro o nome ou a marca. Lembro apenas que para falar sobre os parcos efeitos de escova e fio dental utilizam uma analogia interessante: pedras à beira do mar. Com o tempo o limo e as algas se acumulam, por mais que a água bata nas rochas continuamente, e o mesmo aconteceria com nossos belos dentes. Aparece um cara, utiliza o produto e, continuando a analogia, uma mega onda atinge as rochas e as limpa, com uma frase de efeito tipo “Deixa a boca __% mais limpa”.
Nessa hora, ao lado da frase, nota-se um asterisco. Fui ler outro dia e, para minha surpresa, eis a observação:

“Quando comparado a escova enfio dental comuns.”

Mas como assim??? O cara passa a propaganda inteira falando as maravilhas do produto pra depois dizer que ele só é melhor que escova e fio? Mas isso já não estava subentendido?

Depois dessa propaganda tive vontade de comprar um enxaguatorio bucal. Do concorrente. Se eles mesmos agem como se todos fossem iguais, por que eu não compraria o mais barato?

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Assisti hoje um diálogo muito interessante entre duas mulheres.
Uma delas comentava com a outra um casinho que ela imaginava estar surgindo no grupo de amigos. Aparentemente, o cara de quem ela estava a fim começava a demonstrar interesse por outra menina e, pra piorar a situação, essa outra menina era conhecida no grupo como alguém que estava a fim dele também. Ela se queixava com a amiga sobre como não saber o que fazer e como odiava sentir ciúme, principalmente por poder ser apenas especulação associada a sua mente doentia e insegura.
A outra amiga, depois de ouvir pacientemente, respondeu de forma enfática que ela deveria, sim, sentir ciúme, mas que ela sempre achara que essa outra menina estava a fim de um outro amigo do mesmo grupo (coincidentemente ou não, o cara por quem essa outra amiga arrastava todas as asas).
As duas riram e concluíram que deveria ser alucinação de ambas, porque era impossível que aquela menina – amiga das duas – estivesse dando mole exatamente pros dois caras por quem elas estavam apaixonadas.

O que nos leva pro tema da noite: ciúme feminino.
Mulheres ciumentas acabam enxergando traição (potencial ou não) em qualquer lugar. É engraçado como o ciúme é algo incontrolável. Lembro que nos meus auges de crise de ciúme eu sempre acabava me perguntando por que raios eu estava fazendo aquilo comigo. Outro dia uma amiga (de quem aliás eu já tive um ciúme totalmente injustificado) me falou que as pessoas não mudam, elas apenas disfarçam melhor o que são de verdade para facilitar a convivência. Isso quer dizer que pessoas ciumentas não deixam, milagrosamente, de ser ciumentas. Continuam sendo, mas engolem o ciúme com muita água e sorriem enquanto o objeto de afeição fala com aquela mulher maravilhosa da outra área, a prima com os cabelos de propaganda de shampoo e a ex-namorada que virou amiga.

Uma coisa que eu nunca consegui entender foi como ex-namorada pode virar amiga (assim, com essa naturalidade) e começar a mandar emails pedindo dicas de viagem, o telefone daquele amigo em comum ou apenas desejando feliz natal. Quem quer saber se as desculpas não são desculpas? quem quer saber se ela realmente precisa do telefone do amigo em comum ou se eles têm gostos em comum e por isso ela quer dicas que só ele pode dar? Ela que arrume outro amigo! Ela que passe em um concurso e vá morar na Alemanha! Ela que se apaixone e se case com um nobre dos Emirados Árabes! Vá ser milionária e não socialize com alguém com menos dólares do que ela! Mas não. Sorrimos, ajudamos a montar o roteiro da viagem, lembramos onde está o telefone do amigo e mandamos beijo de feliz natal. Nós somos todos hipócritas. Todo ciumento é naturalmente hipócrita.

A única esperança para o objeto de afeição é saber que o ciúme não é nada pessoal, mas acompanha o status da relação. Se estiver tudo bem, o ciúme fica sob controle (a mulher ciumenta cria um próprio mantra: “ele gosta de mim”).

Confie nas ciumentas que admitem o ciúme. Desconfie daquelas que sorriem o tempo todo e nunca admitem que o sorriso esconde a vontade de pular no pescoço de alguém. É fácil identificá-las: você vai ver uma veia saltada, os olhos apertados e as mãos crispadas, agarrando algo em substituição do pescoço.

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(9h09 da manhã, em alguma cidade banhada pelo Atlântico. Dois amigos conversam no local de trabalho.)

A: por isto q eu tou cansado: diminuiu meu tempo de sono…
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/03/02/terremoto-no-chile-pode-alterar-duracao-dos-dias-eixo-da-terra-diz-nasa-915970571.asp

(B clica no link e acessa a seguinte notícia, prestando especial atenção ao trecho destacado:)

Mas é claro! É por isso também que EU tenho estado tão cansada! Afinal, um microsegundo faz uma diferença absurda no meu sono!

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Porta club-social. Conhecem? Deveriam. Muito útil para as noites no curso, evitando o club social esfarelado no fundo da bolsa depois de um dia inteiro soterrado sob toneladas de carteira, crachá, necessaire, estojo, pasta, celular, guarda chuva…

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Carnaval se aproximando, muitas pessoas saindo da cidade, parte delas pela rodoviária.
Ouço hoje no rádio a reclamação de algumas que não conseguiram comprar passagem – as mesmas já haviam se esgotado.
Mas reclamando por que? Por acaso alguém reclama quando acabam os assentos nos voos para algum lugar? Por que exatamente a rodoviária (e as empresas de transporte rodoviário) deveriam disponibilizar uma infinidade de assentos? Não seria mais razoável a criatura se planejar com antecedência e deixar que outro retardatário faça papel de bobo reclamando por algo que não pode ser controlado?
Impressionante…

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E no auge de minha autocrítica eu percebo que estou reclamando exatamente como um dos antigos leitores desse blog (aquele a quem não foi dada a oportunidade de desagravar meu post sem comentários).
Vai entender.

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“Alá-la-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô
Mas que calor-ô-ô-ô-ô-ô-ô”

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Eu pensando o que fazer no carnaval. Estômago detonado, fígado detonado, sinusite… Praia? 😉

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O G1 tem uma característica interessante quando acessado pelo celular (e viva o 3g!): mostra apenas as notícias mais importantes de cada sessão.
Hoje por exemplo dividiram os holofotes uma notícia sobre a nova mistura que vai reduzir o preço do álcool, uma sobre o Angelim voltando de férias tão branco quanto foi, outra sobre o fechamento por 24h de uma rede de supermercados colombiana que desobedeceu Hugo Chavez, uma sobre Luana Piovani encontrando sei lá quem e outra sobre o filme do Homem Aranha. Foi essa última que chamou minha atenção.
Aparentemente o estúdio se desentendeu com o diretor nos 3 filmes anteriores enquanto discutiam o roteiro do quarto. A solução foi darem adeus a ele, a Tobey Maguire e aos 3 filmes. Vão começar tudo de novo. Do zero. Não sei quanto a vocês mas eu nao tenho mais paciência pro Homem Aranha (sempre fui mais Batman). Sem contar que eu não lembro do Peter ter aquela cara de idiota que o Tobey colocou…

Mas o importante mesmo foi o motivo do desentendimento: a trama do 4o filme.
Enquanto o diretor queria um antagonista (Abutre, conhecem?), o estúdio preferia uma “subtrama romântica”. Diferenças criativas. Muito importante…

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