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Archive for the ‘Livros’ Category

A coleção Vagalume foi um clássico nos idos de 1900 e eu alfabetizada.
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Lembro porque na minha casa havia alguns e eu fiquei em êxtase quando descobri que meus primos tinham outros tantos, solicitados pela escola deles como “leitura extraclasse”.
Um desses livros, porém, me deixou aterrorizada até hoje. Spharion. Alguém se lembra? Eu sim. Com medo. Com angustia. Com tristeza. Nao sei porque. Mas está nos meus planos relê-lo e, com alguma sorte, apagar a má impressão. Ou esse livro entrará no meu Índex particular.

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Uma vantagem da literatura é que todos os clássicos são vistos como arte e, portanto, disponibilizados a qualquer interessado.

Como consequência, eu li – influenciada pela escola ou não – mais livros que a maioria das pessoas.

Não me entendam mal. Isso não é necessariamente algo bom e eu acho que minha mãe tem razão quando dizia que isso traria a loucura (o que explica porque ninguém tem me visto com um livro há algum tempo).

Há uns anos a Marisa Monte gravou uma música chamada “Amor I love you”. Era um tema romântico, falando sobre os arroubos da paixão nos seguintes termos:

Fato é que, em um dado momento da música, ouve-se apenas o instrumental e a voz do Arnaldo Antunes declamando um texto. Trecho de “O primo Basilio”, um desses clássicos da literatura que eu li em dois tortuosos volumes torcendo por um final feliz que não veio.

Lembro do sentimento de vazio – isso foi pouco depois de ler “Noites brancas” que, embora não seja exatamente feliz, não te incomoda. “O primo Basilio” incomodou-me profundamente.

Incomodou tanto que até hoje toda vez que eu ouço “Amor I love you” não consigo sentir a mesma felicidade que todas nem consigo aceitar a imparcialidade no narrador (lírico e de carne e osso) que fala “Tinha suspirado. Tinha beijado o papel devotamente”, desconhecendo o triste final que seguiria aquela carta.

Mas, nesse livro, o narrador não é onisciente, não pode antecipar o fim. Não o culpo. Eu me tornei onisciente após ler, apenas. E para mim esse livro está morto.

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No auge do meu inferno astral desabafei com um amigo que não me acho uma boa pessoa. Obviamente, ele me consolou, falou que não, que eu sou legal etc etc. Mas hoje fui obrigada a encarar um dos motivos pra eu não me achar uma boa pessoa. Tudo se resume a um evento ainda no ensino médio, do qual me arrependo até hoje.

Tínhamos que escrever e ilustrar uma estória qualquer. Esse pseudo-livro seria lido para crianças de 8 e 9 anos, como parte dos requisitos para concluir o estágio supervisionado. Eu passei uma semana inteira tentando saber sobre o que escrever. Estávamos no meio do ano e o tema pareceu óbvio: festa junina, balão, incêndio.

Fato é que a semana passou, o tema estava definido, veio o final de semana e eu ainda não sabia o que escrever. Quando – do nada – veio a minha cabeça uma estória envolvendo animais em uma floresta, um balão caindo, incêndio e a fuga dos bichinhos, com um certo apelo dramático no final.

Escrevi o livro, ilustrei o livro e só no dia da apresentação eu entendi porque ele me parecia tão familiar.

Mamãe era professora. Tinha livros e livros em casa, alguns que ela pegava emprestado na escola e depois devolvia e outros que ela comprava pra gente ler. Líamos desesperadamente. Um desses livros se chamava “Fogo no céu” e era sobre… um incêdio… em uma floresta… causada por um balão.

Não falei pra ninguém na hora. Nem depois. Acho que essa é a primeira vez que eu falo sobre isso. Sinto-me culpada até hoje. Principalmente pela nota máxima recebida. Foi um plágio inconsciente – mas acho que ainda foi um plágio. Certo?

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Há cerca de um mês estava conversando com um amigo sobre “O Príncipe“, de Maquiavel. Não lembro exatamente o que trouxe à tona o texto, nem por qual motivo saímos do assunto principal e iniciamos uma discussão interessante sobre o sentido desse livro – eu defendendo a versão com comentários de Napoleão, ele chocado com o fato de alguém defender Maquiavel.

Quando percebi a indignação no olhar dele, fiz a pergunta mais idiota que poderia: “sobre o que você acha que é esse livro?“, e ele me respondeu o óbvio “sobre dicas para você ser um bom ditador; é alguém ensinando um jovem ditador como ele deve se portar para ser bem sucedido“.

Nos idos de 2001 e alguma coisa, durante o primeiro e/ou segundo períodos da faculdade, me peguei lendo Maquiavel. A Martin Claret tem uma coleção de bolso (“A obra prima de cada autor” ou algo parecido” relativamente barata, relativamente fiel e relativamente completa. Enquanto procurava “Do contrato social” (coisas que estudantes de Direito empolgados com as aulas de sociologia lêem) acabei comprando O Príncipe, e ganhando depois um livrinho chamado “Maquiavel em 90 minutos” (podendo ser também “o príncipe em 90 minutos”, ou “maquiavel em 60 minutos” ou “o príncipe em 60 minutos”, não lembro direito). Esse livrinho – que li despretensiosamente voltando pra casa – me apresentou um “Príncipe” até então desconhecido, que eu, por minha vez, apresentei a esse amigo que definiu-o como um manual-para-futuros-ditadores.

Napoleão enxergou nesse livro uma checklist de coisas a fazer, o que se percebe em comentários como “Fiz isso em ___ e realmente funcionou“, “É verdade, essa tática deu certo na invasão à ___, onde eu subjuguei a população dessa forma” e “Eu também não preciso que me respeitem, mas que me temam“.

Enquanto isso, outros afirmam que o objetivo de Maquiavel não era ensinar futuros ditadores. O objetivo dele era, de forma indireta e abusando da criatividade, mostrar para a população como identificá-los, como analisar as ações do governante em busca de dicas, indícios de que ele irá se tornar um ditador. Em suma, era um manual sim, mas não para os ditadores.

É tudo uma questão de ponto de vista. O que me traz para o título desse blog.

Ao longo do tempo, pensadores de todos os tipos têm sido identificados com esse ou aquele pensamento político. É característica do ser humano pensar o que acontece com ele (o clássico “penso, logo existo” – paradoxal imaginar que você só tem certeza sobre o mundo ao seu redor porque parte da premissa de que sua própria existência é uma certeza). Você não pensa sobre, você pensa. A análise é intrínseca ao ser humano e mesmo bebês são capazes de processar informação de forma racional e obter conclusões (“se eu chorar, eu como”). Obviamente, você vai pensar dentro de um contexto – extrapolando-o ou não, mas sempre tendo esse contexto como base inicial, porque tudo parte de uma premissa, até mesmo na ciência.

O fato de determinada tese (ou corrente filosófica) ter sido desenvolvida em determinado momento histórico (e, por isso, defendida por um grupo que hoje é identificado como o perdedor) não a invalida.

Porque a história pertence ao vencedor. A filosofia, como pensamento histórico, também.
Como já disse de outras vezes, reservo-me o direito de pensar com minha própria cabeça. E até hoje, tenho filosofado de forma razoavelmente satisfatória, obrigada.

Além do mais, saindo em defesa de Maquiavel (cujo nome deu origem ao conhecido termo “maquiavélico”), vale a citação posterior (e sem se referir ao Príncipe) desse meu amigo aí do iníco do post. Uma vez pronta, a obra passa a ter vida própria e deixa de ser apenas aquilo que o artista quis.

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Atualização
Sim, o nome é “Maquiavel em 90 minutos“.

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Toda visão é preconceituosa e temporal. Temporal no sentido de estar atrelada a um determinado contexto (motivo pelo qual eu posso mudar de ideia em alguns dias, meses, anos). Preconceituosa por partir de uma ideia pre-existente. Assim, toda “corrente filosófica”, ideologia religiosa ou moral, doutrina, se desenvolve em um clima mais ou menos propício. Toda. Sem exceção.

O que distingue uma da outra é o lado em que se encontra: se do lado vencedor, ou do lado perdedor.

Um exemplo clássico – e discutido com um amigo outro dia em uma das raras oportunidades de prática de exercício ao ar livre – foi o Tribunal de Nuremberg. Um Estado Democrático de Direito tem como uma de suas premissas não admitir a criação de tribunais de exceção: se você praticou algum crime e será julgado por isso, esse julgamento será conduzido por um tribunal pre-existente, com regras predefinidas e cujos membros já serão seus conhecidos (no sentido de não serem admitidas surpresas). Não é possível que seja criado um tribunal especificamente para julgá-lo pelo crime praticado, uma vez que há o risco de essa montagem ser direcionada para um ou outro veredito, e que por esse motivo é bastante provável que o réu perca grande parte de seus direitos (devido processo, contraditório, ampla defesa, não produzir provas contra si mesmo etc).

O Tribunal de Nuremberg foi um tribunal de exceção, justificado pelos crimes praticados (ligados à tentativa de genocídio) e à comoção internacional criada em reação. Voltou-se contra a tentativa de dizimar toda uma população, uma ideologia, uma doutrina, a tentativa de supressão de um pedaço definido da humanidade justificou. E por esse motivo foi criado de forma parcial e comportou-se de forma parcial: aquela definida pelos vencedores.

Se não me engano, esse meu amigo alegou que, à época, não havia previsão para o crime de genocídio. Ninguém nunca teria tentado, nesse grau, dizimar uma população, motivo pelo qual seria possível permitir a criação de um tribunal específico para esse julgamento. Não bastaria punir, sendo necessário coibir atos semelhantes. Um julgamento exemplar para um crime absurdo. Voltei um pouco na memória histórica, para a época da chegada dos europeus às Américas e à África. Os povos indígenas foram… dizimados. Tribos africanas que não se rendiam aos europeus foram… dizimadas. Genocídio. E aí? Qual foi a justificativa? Por que esse genocídio foi aceitável?

A alegada inferioridade dos indígenas quando comparados aos europeus foi o bastante para reduzir o peso, à época, do crime cometido. O mesmo não se aplicou no caso dos nazistas, que tentaram liquidar sumariamente povos tão “evoluídos” quanto eles. O Tribunal de Nuremberg julgou crimes cometidos contra iguais; os índios não eram iguais.

Toda visão histórica é parcial. É a visão do vencedor, mais ou menos míope. O grau de miopia varia em função da distância (no tempo e no espaço) que o observador está do evento. Quanto mais tempo passa, mais se verifica que o que foi feito com os índios foi, sim, um genocídio. E quanto mais tempo passa, mais pessoas questionam a legitimidade do tribunal de exceção criado à época da Segunda Guerra.

Porque o genocídio é um crime absurdo, mas esse absurdo não justifica a aberração que é criar um tribunal cujo veredito foi dado desde o início. Uma verdadeira piada jurídica, não merecendo sequer o nome de julgamento.

(Recomendo o livro “Ciência em ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora” , escrito por Bruno Latour. Especial atenção ao capítulo “Os tribunais da razão”.)

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(Acho que já publiquei algum post com esse título..)

Hoje estava ouvindo “Chop Suey” do System of a Down. Ótima trilha sonora para elaborar editais, contratos, notificações, aliás. (Fica essa dica pro Pedro que comenta.)

Um dos trechos da música é o seguinte: “Father, into your hands I commend my spirit. Father, into your hands… Why have you forsaken me? in your eyes forsaken me? in your thoughts forsaken me? in your heart forsaken me?

Essa é supostamente a fala de Jesus antes de morrer. “Supostamente” porque, milênios depois, línguas depois, traduções depois, ninguém lembra exatamente o que foi dito, se foi dito, como foi dito. Engraçado como as palavras perdem conteúdo ao longo do tempo. Se o que foi escrito se dilui, imaginem o que é dito.

Nada como esperar passar o tempo para colocar palavras na boca de outra pessoa…

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Peguem uma senha!

Então, aparentemente, depois que eu escrevi o post sobre “O andar do bêbado” diversas pessoas ficaram interessadas em lê-lo ou apenas desejam aproveitar a oportunidade de economizar dinheiro.

O livro está emprestado com o Pedro.
A fila começa com o André, que já se candidatou à leitura.
Logo após o André, temos o Leandro.

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Mais uma vez, recomendo a leitura d’A grande abóbora.

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