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Archive for the ‘Do nada…’ Category

Vocês lembram a criatura que resolveu reclamar do meu post sobre a pirâmide invertida de Kelsen?
O comentário de um suposto aluno de Direito (pena de meus futuros colegas leva à pena de mim mesma) reclamava da própria ideia do blog, dizendo que eu deveria poupar os preciosos minutos de pesquisa dos estudantes que, sem saco pra buscar fontes melhores ou visitar bibliotecas, preferem recorrer ao google a abrir o primeiro link que surge. Obviamente ele não falou isso, não argumentou que a perda de tempo na leitura do post era devida à sua baixa capacidade de verificar fontes de pesquisa confiáveis. O que justificou um outro post meu, usando meu direito de resposta.

Uma das características desse blog (e de tudo que eu escrevo) é misturar o real, o sério, com um toque de ficção, de surrealismo. Foi assim no post sobre Kelsen (cujo livro eu li, sim) e foi assim também em um post sobre a função fática, onde ela é abordada de forma peculiar e particular.

Eu aprendi as diversas funções da linguagem na escola de um modo bem divertido: pesquisando em jornais e revistas, vendo televisão, ouvindo as conversas. E lendo crônicas muito legais naquela coleção “Para gostar de ler”. Minha preferida sempre foi a função fática, pelos mal entendidos gerados em sua ausência.

Agora vocês imaginem meu espanto ao ler esse comentário:

Fico curiosa apenas pra saber que trabalho foi esse e como ele ficou ao final. E tento imaginar o ar de estupefação do professor que corrigiu um trabalho partido de um post sem sentido em um blog idem.

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Uma amiga outro dia disse que a indiferença é um dos sentimentos mais cruéis que alguém pode ter. Corrigi-a: ninguém sente indiferença; a indiferença é um sentimento reflexo, que apenas o agente passivo percebe. É uma questão de ponto de vista: para haver indiferença, é preciso haver sentimentos distintos, ou seja, duas pessoas enxergando-se de formas diversas. Se eu sinto por você o amor romântico que você não sente por mim, eu vou te dizer indiferente. Se você tem muitos amigos e eu tenho poucos, vou te dizer indiferente por causa da sua divisão de tempo entre todos, eu incluída. A indiferença pressupõe a diferença.
Mas independentemente de toda essa análise, devo concordar com minha amiga: dói do mesmo jeito.

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Choquei. Facebook é um saco mesmo.
Acabei de descobrir que uma menina que estudou comigo na segunda metade do ensino fundamental (antigo ginásio, pros confusos) conhece uma amiga do trabalho. Como assim? De onde?

Senti-me observada. Devassada. Mais ou menos como meus vizinhos curiosos flamenguistas fazem com que eu me sinta diariamente.

A pergunta que não quer calar: Liana, de onde você conhece a Danielle, caramba?

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(Acho que já publiquei algum post com esse título..)

Hoje estava ouvindo “Chop Suey” do System of a Down. Ótima trilha sonora para elaborar editais, contratos, notificações, aliás. (Fica essa dica pro Pedro que comenta.)

Um dos trechos da música é o seguinte: “Father, into your hands I commend my spirit. Father, into your hands… Why have you forsaken me? in your eyes forsaken me? in your thoughts forsaken me? in your heart forsaken me?

Essa é supostamente a fala de Jesus antes de morrer. “Supostamente” porque, milênios depois, línguas depois, traduções depois, ninguém lembra exatamente o que foi dito, se foi dito, como foi dito. Engraçado como as palavras perdem conteúdo ao longo do tempo. Se o que foi escrito se dilui, imaginem o que é dito.

Nada como esperar passar o tempo para colocar palavras na boca de outra pessoa…

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O G1 tem uma característica interessante quando acessado pelo celular (e viva o 3g!): mostra apenas as notícias mais importantes de cada sessão.
Hoje por exemplo dividiram os holofotes uma notícia sobre a nova mistura que vai reduzir o preço do álcool, uma sobre o Angelim voltando de férias tão branco quanto foi, outra sobre o fechamento por 24h de uma rede de supermercados colombiana que desobedeceu Hugo Chavez, uma sobre Luana Piovani encontrando sei lá quem e outra sobre o filme do Homem Aranha. Foi essa última que chamou minha atenção.
Aparentemente o estúdio se desentendeu com o diretor nos 3 filmes anteriores enquanto discutiam o roteiro do quarto. A solução foi darem adeus a ele, a Tobey Maguire e aos 3 filmes. Vão começar tudo de novo. Do zero. Não sei quanto a vocês mas eu nao tenho mais paciência pro Homem Aranha (sempre fui mais Batman). Sem contar que eu não lembro do Peter ter aquela cara de idiota que o Tobey colocou…

Mas o importante mesmo foi o motivo do desentendimento: a trama do 4o filme.
Enquanto o diretor queria um antagonista (Abutre, conhecem?), o estúdio preferia uma “subtrama romântica”. Diferenças criativas. Muito importante…

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Reconheço que abandonei meu blog por um tempo grande demais pra que meu público cativo de 3 leitores retorne a frequentá-lo (sei que era muito frustrante pra eles carregar a pagina do blog diariamente esperando uma novidade, sem encontrá-la). De toda forma, como preciso retomar meu hábito de escrever, estou de volta.

Passei grande parte desse feriado prolongado forçado de natal em casa, estudando e vendo tv (sim, acreditem, eu estou estudando). Hoje parei por acaso em um reality show (um dos muitos da nova leva) chamado “Beauty and the geeks”, ou algo do gênero. A fórmula é até interessante: pegar meia dúzia de nerds, juntá-los com meia dúzia de patricinhas, e ver quem vence os desafios que consistem, basicamente, em mostrar que as patricinhas podem ser inteligentes e que os nerds podem ter vida social.

Acontece que nessa temporada eles deram uma pequena mexida na fórmula. Antes só havia um tipo de dupla possível (porque o jogo é jogado em duplas, casais): um nerd e uma patricinha. Agora, bem, agora a coisa foi apimentada: incluíram umA nerd e um “mauricinho” (usando a gíria da minha época de escola), sendo possíveis as duplas nerd+nerd e patricinha+mauricinho, além da tradicional nerd+patricinha.

O ponto desse post não é esse.
Imagine que você é um nerd. Não, não imagine. Deixe que eu imagino, hipoteticamente (fica mais fácil ilustrar). Eu sou uma nerd, jogada com outras tantas nerds em uma casa com caras bonitos que não podem ser considerados brilhantes. Vamos ficar confinados. Ora, eu sou humana e caras bonitos são caras bonitos. E eu sou doce, gentil, inteligente. E eles precisam de mim. Quer dizer, um deles precisa de mim. Além de fazer amizades (porque eu sou doce e gentil), vou ver se arrumo um namorado (porque sou inteligente) ou se, pelo menos, saio do atraso.
Agora, uma coisa é a concorrência resumir-se a meninas que tem mais ou menos o mesmo gosto e a mesma vocação (ou ausência de) para se vestir. Outra coisa é existir essa meia dúzia de meninas iguais a mim e uma – UMA – menina linda, charmosa, que sabe jogar o cabelo, fazer vozes e usar maquiagem e salto alto. Essa proximidade – e a reclusão – só vai servir pra me distanciar ainda mais do padrão de beleza, digo, mulher procurado pelos homens da casa (não custa repetir, eles são bonitos).

Foi isso que fizeram no programa. Colocaram meia dúzia de nerds sob o microscópio mais poderoso de todos (o dia-a-dia) e com um compoarativo diário: o homem que eles nunca serão, ao menos fisicamente. E eu posso estar enganada, mas não sei se levo muita fé nas meninas bonitas não…

Superficial esse comentário? Bem, o próprio programa se alega uma experiência social, então eu posso ter dúvidas. Será que as meninas vão conseguir olhar através da cara do bonitão que chegou e dos nerds? Ou será que estaremos diante da clássica fórmula de filmes sessão da tarde nerds-nunca-se-dão-bem?

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Não sei se foi em um filme, em um livro, mas ouvi dizer que durante um beijo as almas mudam de corpo repetidas vezes, ora dividindo o mesmo espaço, ora simplesmente trocando de lugar. É uma idéia poética, mas plenamente razoável (dependendo da corrente religiosa que você siga).

No “Uma linda mulher”, com Julia Roberts e Richard Gere, a personagem principal, uma prostituta, se recusa a beijar os clientes. Alega ela ser muita intimidade – o que ela vende é o corpo, não sua essência, que poderia, essa sim, ser capturada com um beijo.

Essa mesma teoria justificaria a intimidade que um beijo cria entre duas pessoas. A intimidade, a timidez, o silêncio, os risinhos – é tudo uma questão de adequação da alma ao novo corpo, ou de divisão interna de espaço. Justificaria também porque para algumas pessoas o beijo é mais importante que o sexo e porque o primeiro sintoma de quebra na intimidade seria não a recusa em contato físico, mas a recusa do beijo. Não beijar alguém que você normalmente beijaria equivale a proteger sua alma de qualquer possibilidade de mudança de corpo. “A alma é minha! Minha! Saia de perto!” ou, de uma forma menos eufêmica, “Tire suas patas da minha essência.”

Poucas situações nos permitem conhecer alguém de verdade como aquela fração de segundo após o beijo, quando acabou a expectativa e todas as barreiras que ela precisou baixar ainda estão lá, baixas, permitindo que você veja todo o jardim que ela escondeu por tanto tempo.
Só tem um problema nessa hora: a visão pode te enlouquecer… rs

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Isso tudo pra falar que eu acho ter conseguido escrever o conto pro Prata da Casa. 🙂

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