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Archive for the ‘Conhecimento particularizado’ Category

Essa história de cor/etnia/raça ou o que quer que queiram chamar (nunca lembro qual o termo politicamente correto) nunca me impactou muito, exceto pela lógica observação das diferenças entre meus pais e pela comparação (física) entre meus primos e eu e meus irmãos.

Mamãe tem a pele morena e os cabelos ligeiramente ondulados, herança da mistura entre índios e europeus (vovó é beeeeem morena, com aquele cabelo preto liso escorrido de índio, enquanto vovô era beeeeeeem branco, com o cabelo liso e de fios grossos); Papai é mulato, mas de pele relativamente clara e cabelos beeeeeem enrolados e fios finos, mistura de negros e europeus (vovó tinha pele beeeeeeeeem clara e cabelos ondulados, escuros e de fios finos; vovô era negro – se não me engano os pais dele foram escravos).

Eu e Rimã nascemos com a pele mais clara que Rimão, nós duas com os cabelos cheios de cachinhos (no meu caso, aqueles pequenos, que parecem molinhas), ele com o cabelo liso e bem moreno. A primeira diferença seria em casa, mas como Rimão sempre usou cabelo curto, não fizemos muito caso.

Mas na casa dos primos, ah, na casa dos primos a diferença era gritante. Os mais velhos todos com a pele mais clara que a nossa (branquinha mesmo) e os cabelos em fios lisos toda vida. Lembro que uma das brincadeiras preferidas minha e de Rimã era dividir o cabelo de nossa prima ao meio e cada uma se apossar de uma metade para fazer tranças e pentear.

Deve ter sido mais ou menos nessa época de convivência intensa e consciente com os primos que eu percebi que nossa mãe nunca – nunca – nos deixou com o cabelo grande. Faltava o conhecimento de como cuidar, faltava uma certa dose de paciência, faltava a sanha empreendedora de partir rumo ao desconhecido que são os cabelos cacheados, ela tão inserida estava em outro contexto, o contexto dos cabelos lisos que voltam ao lugar depois de uma ventania e que podem ser tranquilamente penteados quando secos.

Em todas as fotos da escola eu estou com o cabelo curto. Uma comparação que eu e Rimã usamos é “repolhinho”. Nossos cabelos cresciam e eram cortados arredondados em volta da cabeça, os cachos desfeitos com pentes e seguros por arcos e grampos. Mamãe nunca entendeu muito bem a personalidade dos fios cacheados e por muito tempo tentou – ok, tentamos – domá-los a base de química.

A química entrou como solução ao conflito cachos-compridos. Esse binômio era equiparado a uma contradição. Cachos não poderiam ser compridos, pois deixavam a pessoa com aparência de suja e mal arrumada. Sempre fomos orientadas a manter os cabelos presos (mais ou menos como a postura corporativa segundo a qual cabelo decente é liso e preso) e crescemos em um mundo em que o padrão eram cabelos lisos.

Mesmo na escola, posso contar nos dedos de uma das mãos a quantidade de colegas de cabelos cacheados que dividiram a sala comigo. Foram muito poucas e esse padrão se manteve na faculdade. Não havia identidade de grupo, ninguém com experiência parecida, ninguém que soubesse o que era se apavorar quando ventava ou o que é VERDADEIRAMENTE um bad hair day (vocês aí meninas de cabelo liso não têm a menor NOÇÃO do que seja isso – acreditem).

Não critico Mamãe pela dificuldade em lidar com algo inesperado. Talvez não tão inesperado, considerando a pessoa que ela escolheu para ser pai dos filhos dela – o cabelo típico da misturinha que somos estava no pacote. Também nunca vi da parte de Mamãe atos preconceituosos, nem acho que ela o seja – mas o mundo dela era muito mais insensível a esse tipo de comentário que o nosso hoje em dia, então falar coisas como “tem que domar o cabelo de vocês” e “dá um jeito dessa juba” era muito natural.

O problema é estar do lado de cá da história – e aí a gente começa a entender essa de revista segmentada, programa de tv segmentado, partidos políticos segmentados. A segmentação pode surgir por dois motivos: pela maioria, como forma (in)consciente de isolar a minoria, ou pela minoria, buscando no outro um reflexo de si mesmo. É uma maneira de impor sua existência ao grupo hegemônico, de gritar “eu tô aqui e você que me engula!”, criando um outro grupinho secreto, com palavras de ordem, filosofia e ídolos que escapam à grande maioria.

No último final de semana o caso do Grêmio e da menina que xingou o goleiro santista de macaco me fez relembrar essa diferença dentro da minha casa. Mamãe disse que na época dela era comum dizer que os negros tinham “cabelo ruim” e ninguém se sentia ofendido. Ninguém, vírgula. Eu sempre me senti. Sempre. Sempre me senti menosprezada, rebaixada, irritada, ferida na autoestima, magoada. Em cada uma das vezes em que isso me foi dito na minha época. Crianças podem ser muito cruéis e o fato de serem crianças não ameniza o fato.

[É bom lembrar que linguagem se aprende e uma criança repete o que ouve e lhe é natural. Você buscará coibir no seu filho as palavras e expressões que considerar inadequadas e aquelas que não lhe soem estranhas ou particularmente ruins podem até não ser encorajadas, mas não terão seu uso vedado. É uma questão subjetiva. Se pra você “neguinho” ofende, você não vai usar nem permitir que seus filhos usem. E não, eu não me sinto particularmente ofendida pelo uso dessa palavra, a depender do contexto.]

[Observação necessária: compreender determinada palavra ou expressão como preconceituosa depende mais do objeto da fala do que do sujeito. Por isso, apesar de EU não entender “neguinho” como um termo preconceituoso, muitos discordarão.]

A ausência de referência em casa me deixava no dilema de precisar considerar os apelidos como um ponto fora da curva, mas sem poder dar muita importância. Apesar da mágoa, não lembro de ter chegado em casa algum dia chorando ou reclamando de apelidos que recebi por causa do cabelo indomável (até “medusa” eu já fui, mas sem o poder de petrificar pessoas – uma pena). Pra mim, aquilo tudo era algo que fazia parte, mesmo eu sabendo que talvez não precisasse fazer.

Demorei muitos anos pra fazer as pazes com meu cabelo e, com isso, fazer as pazes com a minha história. Demorei muito tempo pra dar ouvido a quem elogiava os cachos, a quem dizia que meu cabelo era macio, a quem sugeria que eu usasse o cabelo solto, a quem falava que eu não fico bem de cabelo liso (e não, eu não fico). E demorei muito tempo pra perceber a crueldade por trás de tantos apelidos e comentários e piadinhas que fazemos com tantas pessoas – empatia às vezes chega num grau tamanho por aqui que beira as lágrimas.

Nossa sociedade ainda é bem bagunçada. Povo reclama de racismo, reclama de cotas, equipara as cotas a uma forma de preconceito e esquece o quanto é ABSURDAMENTE complicado viver nesse mundo onde todos são comparados o tempo todo. Sou bem sucedida, tenho casa própria, um salário bom, fiz faculdade e pós, corri atrás (meus pais também correram atrás), mas convivo o tempo todo com pessoas que têm referenciais bem diferentes dos meus. Não as culpo, nem acho que deveria ser louvada a receber honras militares por ter chegado onde cheguei (vitória pessoal é pessoal, eu cheguei onde quis porque quis e apesar de um monte de coisa, mas cada um tem suas vitórias, seus fantasmas, seus obstáculos). Mas um tiquinho de solidariedade cai bem pra – pelo menos – tentar entender o lado de quem precisa lutar contra toda uma ideia pré-concebida e ainda sorrir como se nada estivesse acontecendo pra não fazer papel de coitado.

No último final de semana exorcisei mais um dos fantasmas ligados a essa história. Mamãe ficou chocada com o que eu falei. Acho que ela nunca tinha pensado a respeito (corroborando o que eu falei aqui).

É difícil ter o peso de toda uma origem sobre nossos ombros e andar como ninfas e faunos sem agredir ninguém. Nessas horas, dá vontade de sentar e chorar.

[Filhotes terão cabelinhos cacheados. É bom que os avós comecem a se acostumar com os penteados.]

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Opções

Quando Primeira Afilhada nasceu, prematura, com direito a incubadora, UTI neonatal, internação, noites em claro, isolamento em casa até poder tomar vacinas e passear, acompanhamento quase diário de peso etc etc etc, fiquei chocada com o que uma experiência traumática pode fazer com uma pessoa. Ou duas. Ou três. Ou mais.

Nunca tinha pensado sobre parto normal x cesárea, por exemplo. Mas não precisei de muita leitura para saber que sou favorável ao termo “normal” (como sinônimo de “natural”, “ordinário”) quando comparado a uma intervenção cirúrgica. Não precisa ser nazista pra entender que qualquer cirurgia deveria ser extraordinária (no sentido de “não ordinária”, “incomum”) e que a ordem natural das coisas deve ser buscada. Ou seja, havendo opção, coloquem-me com as contrações, o bebê pulando da “pepereca” (como diria Quinha, agora não mais um bebê prematuro) e a ausência de aberturas na minha barriga.

Mas não havendo opção (devidamente informada, esclarecida, explicitada), passemos para o extraordinário, o pouco comum, o não-natural. Passemos ao método criado pelo homem para salvar mães e bebês quando o método comum se mostrar excepcionalmente arriscado.

Não prego o parto humanizado. Não prego a criação com apego. Não prego o uso de sling. Não prego por uma questão semântica: tudo isso é escolha e escolha depende de informação. Pregar qualquer coisa significa militar por seu uso por todos, o que de certa forma afasta a escolha. Nessa seara de educação, gravidez, parto, filhos, só prego isso: informação. Acredito (e alardeio) que devemos buscar informações onde quer que elas estejam e com base nessas informações (e no senso crítico que qualquer ser humano tem) desenvolver opiniões, sabendo que opinião implica em ação/omissão e que tanto fazer quanto não fazer trazem consequências. Limito-me a responder quando questionada. Limito-me a dar opinião (a minha opinião) com base no que eu li, no que eu vi, no que eu observei. E uso essas minhas experiências (não minhas) para tomar minhas decisões.

Parto normal é uma delas.

Complicado nisso tudo é saber que tem médico por aí tomando decisão por mãe. E saber que tem grávida e não-grávida por aí acreditando piamente que uma intervenção cirúrgica (anestesia, bisturi, agulha, corte, ponto) é absolutamente mais segura que usar o caminho naturalmente pré-existente.

Cuidado com os absolutismos. Foi algo que eu aprendi convivendo com rimã, Primeira Afilhada, Cunhado e sua história.

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Blog ficou mais de um ano parado, tadinho… Então, pra quem não sabe, vai um resumo expresso do que aconteceu nesse período.

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O nosso amor é liiiiiiindo! Tãaaao liiiiindooooooo!

Então. Terminei namoro. Comecei namoro. Adotei cachorro (Chewbie, por não ter cara de Chewbacca, mas conhecido por “Youtube” – com os cumprimentos da vizinha). Namorado foi lá pra casa. Fiquei noiva (com direito a anel de noivado com pedra amarela, as requested). Adotei outro cachorro (Doralice, a.k.a. “Dona Alice”). Casei.

(Talvez não tudo necessariamente nessa ordem, porque as coisas foram se assucedendo e quando eu dei por mim estava procurando salão pra fazer o dia da noiva e convencendo as pessoas que não, não estava me precipitando em casar e sim, tudo ia dar certo.)

 

Daí to aqui de volta. Entre idas e vindas, organizações de casamento(s), convites, compra de  vestido(s), lembrancinhas e muitos detalhes fofos para os convidados mais queridos do mundo (alguns vindos de outros estados, alguns a caminho de outros países), todos fazendo questão de estar presentes (ou lamentando não poderem fazê-lo), e a noiva mais feliz de todas lá na frente, querendo acenar para todos, jogar beijos, pegar no colo, pular.

[Fotos oficiais já disponíveis, álbum alternativo sendo preparado – obrigada aos que deram seus cliques e usaram a hashtag e/ou facebook e/ou email pra compartilhar!]

 

Blog retoma suas atividades com o estilo de Cris, minha querida, minha irmã do coração, mãe de Segundo Afilhado, reSistrando (porque reGistro é de água e reSistro é aquilo que a gente coloca no papel, já disse uma grande personalidade que passou por nossas vidas, né, rimã?) o momento mais divertido do casório: marido baixinho no banquinho, tentando compensar a altura que lhe falta pra não sumir ao lado da noiva de salto alto.

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Normalmente as coisas funcionam da seguinte maneira:

Você não faz questão de pensar em seja lá qual for o assunto (amigo, namorado, trabalho, dívidas). E não pensa. As coisas se sucedem normalmente, você conversa sobre variados assuntos com variadas pessoas, seus sentidos não são mais ou menos sobrecarregados com informações. As situações ocorrem ao longo do dia e você as trata e absorve normalmente, sem mais nem menos paixão do que seria de se esperar.

Você quer esquecer determinado assunto. Tudo ao seu redor vai gritar e chamar sua atenção como candidatas a animadoras de torcida em testes ou atores disputando o papel do protagonista. Letreiros em néon surgirão apontando as ligações e referências cruzadas (o próprio letreiro em néon pode se tornar uma referência cruzada), seus sentidos estarão alertas a cheiros e sons, a programação da tv vai te lembrar o assunto. O universo parecerá conspirar contra você. E você não vai conseguir dormir. Porque toda hora que você fechar os olhos pensará “Não posso pensar em [insira aqui o tema sobre o qual você não pode pensar]” e automaticamente a enxurrada de informações recebidas durante o dia se repetirá na sua cabeça.

Boa sorte. As coisas não vão melhorar enquanto você fingir não se importar e enquanto não resolver o assunto – seja ele qual for. Mas veja pelo lado bom: quando você morrer, não vai virar tema de programa no Discovery Channel sobre espíritos que ficaram vagando nesse plano. 😉

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Existem varias formas de dar um recado.
Tradicionalmente, fala-se. É a forma honesta, mas pode ser dolorosa em algumas situações. Porque voce tem que pensar no outro, colocar-se no lugar dele, tentar avaliar se o que voce fala corresponde à realidade. Falar pressupõe uma analise de risco.
Mas calar também. Ao calar, voce permite que mal entendidos surjam e voce ergue uma barreira que pode nunca mais ser derrubada. As palavras não ditas doem mais que as ditas, porque o que não se diz, se infere, e inferir depende de interpretação e opinião pessoal. No final, a chance de erro nessa interpretação é maior quando se cala do que quando se tenta entender o que foi dito.
Fiquei um bom tempo da minha vida em duvida quanto a falar o que eu sentia e pensava ou a calar, por medo de magoar os outros. A magoa foi maior assim, minha e deles. E nesse exato momento eu sei como eles se sentem, porque você pode usar a justificativa que quiser, mas pra bom entendedor, pingo é texto inteiro. E silencio eloqüente é ponto final.
Segunda vez em menos de seis meses que eu percebo isso. Ja deveria ter me acostumado. :/

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O legal nas músicas compostas na época a Ditadura/Revolução/Contrarrevolução (dependendo de sua filiação filosófico-político-partidária) é tudo que fica dito nas entrelinhas, subentendido, deixado a cargo da interpretação.

A  música dessa 2a encaixa-se nesse padrão, como tantas outras escritas pelo Chico Buarque, mas os versos “Apesar de você / amanhã há de ser outro dia” servem para diferentes situações, contextos, momentos. E eu escrevo esse post com um sorriso no rosto por saber que, no fundo, não chega a ser uma ameaça, mas uma constatação: o tempo passa e algumas coisas são inevitáveis.

[Dessa vez, sem vídeo, porque não quero contaminar a letra com imagens políticas e prefiro deixar a cargo de cada um de vocês enxergar o “você” de sua preferência, porque, meus caros, amanhã há de ser outro dia.]

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Apesar de você (Chico Buarque)

(Amanhã vai ser outro dia…)

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu?
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro!
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa!

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente?

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal
La, laiá, la laiá, la laiá

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Amigo terminou relacionamento há pouco tempo. [Aliás, estamos em uma onda de términos de relacionamento que eu se fosse vocês me segurava por aí antes de ser levada junto.]

Términos de relacionamento nos fazem retomar os autoquestionamentos filosóficos típicos das tardes de domingo: quem sou? de onde vi? pra onde vou? Chega uma hora que a gente tanto se acostuma com o ajuste fino feito com a cara-metade que não mais se sabe se a gente não come chocolate amargo porque não gosta ou porque a outra pessoa não gosta. Ao término do meu casamento, percebi que eu comia bem menos carne por causa de ex-marido vegetariano, pra não ter que cozinhar dois pratos, mas identificar o motivador levou uns bons 3 meses – quando então eu me libertei, comprei uns filés e fiz na chapa pra acompanhar batatas assadas com alecrim [nham!].

É uma fase de redescoberta, de reconhecimento, de reconstrução. Você tem que avaliar tudo que acrescentou e que deixou de lado em função do relacionamento – não pra voltar ao status quo ante, mas pra ver que alterações feitas em função da outra pessoa devem ser incorporadas permanentemente. E esse trabalho é cansativo, complicado, doloroso, cheio de lembranças, de saudade, de mágoa, mas deve ser feito. E sozinho.

Daí que amigo comentou precisar ficar sozinho, aprender a ficar sozinho. No meio tempo, acho [eu acho, ele não falou isso] que ele vai praticar a máxima “solteiro sempre, sozinho nunca”.

Com vocês, Roberta Sá.

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Cicatrizes

Amor que nunca cicatriza
Ao menos ameniza a dor
Que a vida não amenizou
Que a vida a dor domina
Arrasa e arruína
Depois passa por cima a dor
Em busca de outro amor
Acho que estou pedindo uma coisa normal
Felicidade é um bem natural
Uma, qualquer uma
Que pelo menos dure enquanto é carnaval
Apenas uma
Qualquer uma
Não faça bem
Mas que também não faça mal
Meu coração precisa
Ao menos ameniza a dor
Que a vida não amenizou
Que a vida dor domina
Arrasa e arruína
Depois passa por cima a dor
Em busca de outro amor
Acho que estou pedindo uma coisa normal
Felicidade é um bem natural
Uma, qualquer uma
Que pelo menos dure enquanto é carnaval
Apenas uma
Qualquer uma
Não faça bem
Mas que também não faça mal…

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