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Archive for the ‘Amigos’ Category

Ontem eu vi meu ex-amigo. Acho que ele cortou o cabelo, mas não posso falar nada porque ele resolveu que não é mais meu amigo. E como eu não o vejo há algum tempo, fica difícil dizer se ele cortou o cabelo, se a cabeça cresceu (a clássica piada.. Podemos fazer piadas com ex-amigos?) ou se o cabelo sempre foi desse tamanho e a distância está mudando a perspectiva.
Ah, sim. Vocês não sabem. Agora eu tenho um ex-amigo.

Falei com o Edson há uns bons 5 anos que eu só me afasto definitivamente das pessoas quando elas pedem. No resto das vezes, pode acontecer o stress que for, eu posso ficar chateada o quanto for, mas sempre fica uma fresta aberta pra qualquer eventualidade. Com o Edson mesmo foi assim, e anos depois de contato reduzido a zero, voltamos a nos falar, para logo depois parar novamente. Porque o “já chega” não teve ar definitivo.

Com o ex-amigo foi diferente.

Primeiro porque não teve explicação ou esclarecimento, não teve nada jogado na minha cara (e eu sei que piso na bola bisonhamente com meus amigos, estão aí DaniH, Ju, Guilherme e Max que não me deixam mentir), nenhuma verdade incontestável que me levasse às lagrimas de arrependimento. Nada. Zero. Niente. Null.

Segundo porque foi inesperado, ao menos pra mim, embora exista a possibilidade de eu ter pisado na bola bisonhamente, já que esse tendia a ser meu modus operandi. Ele simplesmente me comunicou que não era mais meu amigo, com direito a um pedido para que eu respeitasse (pedido esse prontamente atendido em reconhecimento à amizade que então se encerrava), e pronto.

Terceiro porque a amizade foi denunciada sem notificação prévia, sem direito a resolução do conflito, sem prazo para correção do erro, sem justificativa, e envolveu uma lista de contatos e comunicações vedadas. Aqui eu poderia invocar o principio da boa fé, mas seria contraditório com toda minha argumentação sobre como nascem os amigos (nós é que os consideramos assim), e então ele tinha todo o direito de denunciar nossa amizade.

É tudo isso que justifica o título “ex-amigo”: a forma, a unilateralidade, o choque. Vocês não têm a menor idéia do quanto dói – fisicamente mesmo – passar por ele e fingir que não o conheço.

Dói, mas eu respeito. E espero que ele não se arrependa da decisão tomada, qualquer que tenha sido o motivo, porque o estrago aqui foi tão grande que provavelmente não teria volta nem que ele quisesse. Sorte que aparentemente ele não se incomodou tanto assim, logo não vai voltar atrás.

Então, ontem eu vi meu ex-amigo. Acho que ele cortou o cabelo, mas não tenho como saber. A fase de barganha dos cinco estágios da dor me faz afirmar que eu não me incomodo o suficiente. E ele provavelmente pensaria que esse post é sobre ele, se ele ainda visitasse meu blog.

Sorte que ele não visita mais. Sorte.

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Então aparentemente dois indivíduos haviam sido presos pelo furto de duas melancias. Isso, furto de duas melancias. Aparentemente o Ministério Público pronunciou-se pela prisão dos dois indivíduos. Aparentemente o juiz resolveu rebelar-se contra o sistema e proferiu uma decisão que, pela peculiaridade, chega a ser divertida.

Tão divertida, digo, peculiar que a Escola Nacional de Magistratura utilizou-a para inaugurar sua (já desativada) seção de banco de decisões.

Anderson, o eterno aspira, nosso advogado criminalista, na bravata contra as injustiças e pelo direto de defesa de todos, já deve ter lido essa decisão (pois publicada em 2006), mas eu a coloco aqui em homenagem a ele.

Grifos do original, aliás.

 

ESTADO DO TOCANTINS
PODER JUDICIÁRIO
COMARCA DE PALMAS
3ª VARA CRIMINAL

AUTOS N.º 124/03

DECISÃO

Trata-se auto de prisão em flagrante de Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha, que foram detidos em virtude do suposto furto de duas (2) melancias. Instado a se manifestar, o Sr. Promotor de Justiça opinou pela manutenção dos indiciados na prisão.

Para conceder a liberdade aos indiciados, eu poderia invocar inúmeros fundamentos: os ensinamentos de Jesus Cristo, Buda e Gandhi, o Direito Natural, o princípio da insignificância ou bagatela, o princípio da intervenção mínima, os princípios do chamado Direito alternativo, o furto famélico, a injustiça da prisão de um lavrador e de um auxiliar de serviços gerais em contraposição à liberdade dos engravatados que sonegam milhões dos cofres públicos, o risco de se colocar os indiciados na Universidade do Crime (o sistema penitenciário nacional), …

Poderia sustentar que duas melancias não enriquecem nem empobrecem ninguém.

Poderia aproveitar para fazer um discurso contra a situação econômica brasileira, que mantém 95% da população sobrevivendo com o mínimo necessário.

Poderia brandir minha ira contra os neo-liberais, o Consenso de Washington, a cartilha demagógica da esquerda, a utopia do socialismo, a colonização européia, …

Poderia dizer que George W. Bush joga bilhões de dólares em bombas na cabeça dos iraquianos, enquanto bilhões de seres humanos passam privação na Terra — e aí, cadê a Justiça nesse mundo?

Poderia mesmo admitir minha mediocridade por não saber argumentar diante de tamanha obviedade.

Tantas são as possibilidades que ousarei agir em total desprezo às normas técnicas: não vou apontar nenhum desses fundamentos como razão de decidir.

Simplesmente mandarei soltar os indiciados.

Quem quiser que escolha o motivo.

Expeçam-se os alvarás de soltura. Intimem-se.

Palmas – TO, 05 de setembro de 2003.

Rafael Gonçalves de Paula
Juiz de Direito

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Diz a sabedoria popular que a cavalo dado não se olham os dentes. Considerando que uma das formas de avaliar a saúde geral de um equino é verificar sua saúde bucal, esse ditado afirma que se você ganha um presente, não pode procurar defeitos ou reclamar do que quer que seja.

E eu estou de dieta.  Dieta daquelas normais, nada personalizadas: hipocalórica, fibras a vontade, muito líquido, exercício físico, associado a dois dias de dieta de proteína.

<em>Esclarecimento inicial: quando se fala dieta de proteína, fala-se do consumo exclusivo de proteínas e alimentos de origem animal, e não a retirada desses alimentos da ingestão diária. Continuemos</em>

A dieta de proteína é a parte bizarra. Dois dias sem beterraba, sem cenoura, sem feijão com arroz, sem purê de batata. Nunca pensei que eu fosse sentir tanta falta de beterrada, cenoura, feijão, arroz e batata, mas é isso aí. Rimã diz que dieta de proteína é ruim porque força o estômago e deixa as pessoas com mal hálito, mas a nutricionista da Dani falou pra gente fugir de carne de boi (que deve ser magra) e preferir peixes e aves, por serem mais leves.

O problema é que agora – dois meses depois do início da dieta e uns 7kg a menos em mim – a nutricionista se empolgou com o progresso da Dani (não sei exatamente qual foi, mas é visível) e resolveu que pra manter a queima no próximo período a dieta de proteína deve ser ampliada. Uma semana. Serão sete dias sem arroz, feijão, beterraba, cenoura e purê de batata, seguidos de 7 dias de recuperação, respiro e relaxamento, como um preparo para os sete dias subsequentes sem cenoura, feijão, batata, beterrada, durante um período que só Deus sabe quando acabará.

Os atentos repararam que eu falei na nutricionista da Dani e no progresso da Dani como um gatilho pra mudança na dieta. Pois é. A nutricionista é dela e a dieta é dela. Eu estou de carona. Uma carona muito da abusada, que reclama do Polenguinho light (descobri que polenguinho não é tãaaaaao bom assim quanto eu achava), do adoçante e da dieta de proteína.

Um coleguinha no trabalho disse que eu não tenho direito de reclamar, afinal, a cavalo dado não se olham os dentes. Eu ganhei a dieta sem pagar por ela, sem esforço, sem contraprestação. Por isso não estou autorizada a questionar o que quer que seja, exceto se eu começar a frequentar a nutricionista e receber dela uma dieta igual.

Mas nem se for uma bolsinha?

 

E então surge a questão do tatu empalhado. Uma antiga lenda da família da Dani conta a história de alguém que, ao participar de um amigoculto no trabalho, ganhou de presente um tatu empalhado. Sim, um tatu empalhado, produto da arte (?) da taxidermia aplicada a esse mamífero insetívoro que possui carapaça.

 

Um tempo se passou e, em um novo amigoculto, a presenteada com o tatu empalhado devolveu-o ao presenteador, em clássica infração às regras do “regiftng”, segundo a qual você até pode presentear outra pessoa com o mesmo presente, mas nunca – NUNCA –  pode devolver o presente a quem o deu a você.

No caso da dieta, tudo bem não olhar os dentes do cavalo dado. Mas, em se tratando de um tatu empalhado, até eu devolveria.

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Há um ditado segundo o qual o tempo cura todas as feridas. É um ditado hipócrita, porque embora possua alguma verdade, acaba permitindo que as pessoas façam besteiras utilizando-o como defesa.
E, associado ao ditado “a mentira tem perna curta”, a gente percebe que com o tempo todas as mentiras são reveladas, já que o mentiroso acaba relaxando por acreditar que, quanto maior o tempo entre o ilícito e o conhecimento do ilícito, menor a punição.
Por exemplo, eu tenho um amigo que se divorciou há algum tempo. Ele sentiu-se culpado, se martirizou, disse que o erro havia sido dele e ficou pior ainda quando percebeu que estava apaixonado por outra pessoa e que talvez isso tivesse sido um dos motivos. A na época esposa dele comentou, pouco depois, estar interessada em um cara, mas não ter rolado nada ainda por respeito a ele e por não ter sido definido se eles se separariam mesmo ou não.
O tempo passou. Ele está feliz, ela está feliz. Cada um com seu respectivo (acho até que ela casou de novo recentemente). E ele descobre – por um comentário bobo – que, na época em que ele se martirizava e se culpava, ela já saia com ele. E mentira ao negar.
Prescrição não se aplica à vida em sociedade de forma regular, meus caros. Prescrição é um instituto criado pra dar segurança jurídica, logo ele somente se aplica quando legalmente invocado. De qualquer forma, em todas as situações nos sentiremos frustrados, magoados. Mesmo que haja o aval do Estado para a não punição pela prescrição.
Se você mentiu e não pretende contar a verdade cara a cara, sustente sua mentira em todos os meios, para todos os fins. E combine com os demais envolvidos. Pela mágoa que eu vi se formar nos olhos desse meu amigo, a mentira revelada com displicência dói, mesmo muito tempo depois. O tempo pode até curar, mas há que se considerar que a contagem desse tempo não começa do fato, começa da dor – e a dor ocorreu agora, há pouco tempo, não lá atrás.

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Não, eu não errei o título, nem foi um trocadilho pretendendo ser engraçado. Explico.

Pedro (o que não comenta aqui, embora agora nenhum dos dois comente, snif) irá hoje assistir a parte 2 de Harry Potter e as Relíquias da Morte, com sua família feliz. Mas Pedro não lembrava nada que tinha acontecido no último filme (provavelmente por não tê-lo visto) e nos anteriores (à exceção do primeiro, do segundo e do terceiro). Então fomos buscar na internet algum texto que facilitasse o trabalho de não boiar no cinema, e eu achei o vídeo aí embaixo.

Não duvide do título do vídeo: eles de fato explicam todos os livros em sete minutos (à exceção da parte final do último, pra evitar spoilers), em uma velocidade impressionante e com comentários bastante pertinentes. Divirtam-se.

[blip.tv http://blip.tv/play/AYLIgT8C%5D

Não entendeu? Você pode ler o texto aqui.

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Difícil encontrar pessoas que gostem de ler e de escrever. Mais difícil ainda encontrar pessoas que escrevam de forma enlouquecida e que consigam fazer fluir para as palavras sua própria personalidade. A internet deixou a maioria de nós mudos, meros receptores de informação, perdidos de nossas capacidades criativas, evolutivas, desenhativas e redatoras.

Acho que com o tempo grande parte das pessoas deixou-se paparicar pelo computador. Não eu. E foi grata a surpresa de encontrar outros que, como eu, ainda se deslumbram com coisas simples e ainda conseguem dividir essas coisas simples com os demais, com uma delicadeza, um exagero, uma paixão e uma peculiaridade únicas. Esses outros, felizmente, tratam as palavras com tanto cuidado quanto eu – a palavra escrita, a palavra lida, a palavra ouvida, a palavra falada. E percebe-se esse cuidado.

Sou diariamente brindada com visões únicas e reações únicas para um mesmo assunto, proveniente de diversos cantos do meu mundinho particular – parte dos cantos encontra-se em um raio de um quilômetro durante boa parte do dia, o que faz de mim ainda mais privilegiada.

Eles não são meus pares, na verdade. São meus ímpares.

E é para vocês – que, felizmente, eu não preciso nomear – que eu mando esse poema, encontrado num passeio pelo Objetivando Disponibilizar.

“Não fechar a frase, não.
Deixar a palavra ao relento.
Pensar as coisas de perto,
suar a imaginação.

Amar à solta a emoção
por baixo do pensamento.
Poesia é conjugação
de sentir, em qualquer tempo.”

(Miguel Marvilla)

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Toda vez que alguém diz que eu escrevo bem e que, por isso, vai seguir meu blog, fico com peso na consciência. Na verdade fico com um misto de peso na consciência e pena.
Pena da aparente falta de gosto da pessoa que – diante de tantas opções mais legais na blogsfera – prefere ME ler.
Peso na consciência por escrever bem menos do que eu poderia, já que nem a desculpa da ausência de ferramentas portáteis eu tenho: comprei um telefone mais smart que eu, com o obrigatório pacote 3G e o aplicativo do wordpress.

Entao, aproveitando as ferias, comunico aos meus atuais dois leitores que postarei ao menos duas vezes por semana. Prometo.

E prometo também nao chamar isso aqui de be-log.
(Rebelião contra @sratoz, declarada.)

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