Ninguém nega que os tempos de hoje estão mais agitados, mais tensos, mais dinâmicos. É tuiter, facebook, internet, smartphone, 3G… Tudo isso contribuiu (olha TI e telecom aí gente!) pra que cada pessoinha (desde antes de ser alfabetizado até quase a véspera do falecimento – sem falar nos que continuam depois) conquistasse seu lugar em um servidor perdido no Urzbequistão.
Com tanto espaço, sendo tão rápido o acesso e nao se tratando de recurso escasso (que justificaria limitar o número de “operadores da Internet”), obviamente os extremos de qualidade se afastam de forma proporcional ao aumento da quantidade. Dai surgem os memes, os virais e as celebridades instantâneas. E, com eles, aqueles que reclamam da suposta falta de conteúdo.
Mas eu me pergunto: será que tudo – TUDO – que precisa ser produzido na internet ou no mundo em geral precisa ser inovador, precisa mudar a vida como nós a conhecemos, precisa ser profundo? As coisas nao podem simplesmente ser inofensivamente divertidas?
Vide Michel Teló. A musica é profunda poesia? Nao. Drummond escreveu algo parecido? Bem, eu sempre encarei “Mundo, mundo, vasto mundo! Se eu me chamasse Raimundo, seria rima, não seria solução.” como uma baita de uma piada dele. Mas né? Ele morreu. Todos que morrem ficam bons, viram gênios e pretendiam falar sobre algo profundo com jogos de palavras, e nao apenas fazer graça.
Mas o que está me incomodando ultimamente é a irritação de algumas pessoas com o fenômeno “Luiza no Canadá”.
Todo mundo, toda aglomeração mais ou menos constante de pessoas, possui jargões. Vejam, por exemplo, DaniS e sua família com o tatu empalhado. Ou eu, DaniH e DaniS com o “só a bailarina que não tem”. Qual o mal de um cadinho de conhecimento particularizado engraçadinho, ainda mais no caso da Luiza que, lá do Canadá, virou apenas uma menção. Até Lenine agradeceu a presença de todos no show e lamentou a ausência de Luiza.
A única diferença entre a “Luiza no Canadá” e os jargões internos é a popularização, a perda da particularização, da internalização do conhecimento. Todo mundo agora conhece a Luiza e sabe porque ela está no Canadá, mas poucos conhecem a história do tatu empalhado…
Na boa, gente. Menos profundidade as vezes. A vida pode ser leve sem trazer de reboque uma foto do por do sol e uma frase da Clarice Lispector. Dá pra ser feliz cantando “Ai se eu te pego”, ainda mais se for em francês.


Como coloquei lá no Facebook: o que me incomoda não é trollar a Luiza! A Luiza pode ir para onde a Dercy a mandou em outro meme!! O que me incomoda é que se gastam blocos de telejornais falando dela. Aí sim, perderam a noção…
Concordo com o post e com a opinião do Rafael. Realmente não é assunto de jornal, mas ai os jornalistas que se recusem a tornar jornal em programa da Sonia Abraão.
Feliz Ano Novo! Feliz SOPA nova! Feliz mundo novo!!!
E agora? Não vejo graça em rir sem que ninguém ria por causa do conhecimento particularizado. Não existe nada mais chato do que explicar toda uma situação para que alguém que ficou boiando ria junto com os interlocutores.
Eu concordo com todos vocês. A menina virar meme é normal (só que resolveram forçar a barra com ela e perdeu a graça), mas daí a virar notícia é um pouco demais (“já fomos mais inteligentes”. NASCIMENTO, Carlos).