Segundo algumas religiões, o momento da morte influencia o que acontecerá com sua alma (ou espírito, ou força vital, ou seja lá como vocês preferirem chamar). Se você tiver os pensamentos certos, existe esperança de apagar o que foi feito na sua vida. É o momento de redenção, que pode ser comandado por você mesmo ou por um sacerdote da religião em questão (mas que no fundo dependerá de sua vontade interna de reforma).
Sem entrar no mérito da propriedade deste entendimento (porque religião é tema por demais complexo pra ser tratado em um blog e por mim, que só poderia dar o meu ponto de vista e correria o risco de magoar desnecessariamente alguns leitores de quem eu gosto muito), tenho percebido que a própria humanidade tem se encarregado de conceder essa redenção – ainda que em caráter póstumo.
Depois de morto, todos viram anjos. O passado é apagado, os atos questionáveis são plenamente justificados ou deliberadamente esquecidos e todos começamos a lembrar apenas das coisas boas.
Isso pode ser encarado de duas formas:
a) a morte traz a compaixão – a maioria de nós sente pena dos que morreram e começa a rever o rancor, a raiva, o ódio pelo fato de a pessoa estar em condição diferente da nossa (uma vez que morreu); e
b) os advogados, promotores e defensores fazem bem em apelar pra emoção dos jurados no Tribunal do Júri, uma vez que é a emoção que os fará decidir pela culpa ou inocência, e não apenas os fatos.
Mas por que a idéia da “reasonable doubt”, tão explorada nos julgamentos, não é utilizada no dia-a-dia por todos? Na dúvida, que utilizemos a melhor interpretação possível pros atos! Na dúvida, que a pessoa seja inocentada!
Ah mas aí não existiriam os boatos – e muita gente não teria mais sobre o que escrever nos blogs…


