Sejamos sinceros: ninguém se declara nerd. Ninguém.
A nerdice é um estado de espírito que só quem está de fora consegue ver. Estranho, não? Um estado de espírito compreendido e identificado por quem teoricamente teria menos possibilidade de entender o tal espírito. Que não está, é nerd.
A nerdice é proclamada por aclamação (frase essa que parece redundante lida assim). E precisa de um público fiel, compacto, coeso em torno dessa afirmação. Geralmente começa na infância. Adjetivos pejorativos são empregados por uma massa que pega no pé daquele que lê, daquela que usa óculos, daqueles que acertam as questões, daquela que só tira nota alta. Pegam no pé insistentemente.
Eu possuí todos os estereótipos usados para identificar um nerd e, consequentemente (sem trema), aclamá-lo: era magra, feia, usava óculos, usava aparelho (primeiro móvel, depois fixo), acertava todas as questões na aula, terminava os deveres antes de todos. Passava um ano inteiro fugindo da classificação de “nerd” (na época bem menos glamouruso, bem mais ofensivo – cdf) para, na entrega do último boletim, ser recompensada com a medalha que me reconhecia o direito de usar o título. Sim. Meu colégio premiava os melhores da turma (os 3 melhores) com medalhas de “honra ao mérito”.
Ganhei a medalha em todos os 4 anos que estudei lá. Mas em minha defesa, esclareço que na 1a série fiquei em 3o lugar, na 2a fiquei em 2o e só nas séries seguintes eu fui alçada ao topo (depois de 4 bimestres de árdua competição com Rafael Coelho, um loirinho muito metido e tão enlouquecidamente inteligente quanto eu, com quem eu brigava por décimos e meios pontos como quem briga com o irmão pelo último pedaço de bolo).
Nunca me reconheci nerd. Mas daí pra frente minha carreira deslanchou. Adaptei mapas na 7a série, me ofereci para montar novamente o laboratório da escola, participei de projetos paralelos com a Sala de Leitura (saraus, leituras de poemas) e aulas de história no centro histórico do Rio, me tornei conhecida dos responsáveis pela biblioteca da escola ao aparecer diariamente para pegar e devolver livros e mantive o histórico impecável: notas altas, óculos, aparelho e uma timidez absurda.
Mudei de escola várias vezes, mas as medalhinhas continuaram chegando (ainda que não fisicamente, mas sob a forma do preconceito interesseiro dos colegas de turma). Nunca me declarei nerd. Nunca. Nenhum de nós o faz. É a nossa vida (tímida ou não, calada ou não, com ou sem notas altas, com ou sem computador, com ou sem livros, com ou sem diploma) que nos mostra que nós o somos.
Sinto muito, Dudu. Você é nerd sim. Por aclamação. Assim como eu. Assim como Pedrinho. Assim como André. E Dani. E Cristiano. E Thiago. E tantos outros que passaram por aqui, citados uma vez ou outra, por um motivo ou outro. Porque cada um é nerd a seu jeito. E são sempre os outros que nos identificam…

Os 56 geeks
E aí? Alguém familiar?



Nerds tem filhos antes de completarem 20 anos?!
Tem filhos sim! São conhecidos como ciborgues!
Huahuahauahua…
Todo nerd, chega numa fase em que ele se pergunta se de fato é um nerd, confere em blogs todas as características de nerds e se identifica com muitas delas. Mas eu não vi nenhum nerd com filhos antes dos 20 anos.
Seria eu, uma nova categoria de nerd?
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Sá, você como uma pessoa que acompanha a atualidade, quando falará sobre o fenômeno Susan Boyle??
Bom dia!
Não sei pq eu fui citado nesse post…
Porque nerds são declarados nerds por aclamação! rs
Que parada nerd chamar os outros de nerd!
“A nerdice é um estado de espírito que só quem está de fora consegue ver. ” – essa frase é fantastica.
na minha opinião o nerd só é esteriotipado por pertencer a uma minoria que não se enquadra no senso comum, mas sinceramente quem quer pertencer ao senso comum?
Muito bem Sarita! Mas pergunto: qual é a categoria do Pedrinho?
Dois parênteses:
P
Você não mudou tanto de escola assim… Até parece que a gente foi cigano e viveu viajando
E o Rafael, ah, ele era o loirinho dos seus sonhos, bem sei como gostava dele… Ah, os pseudonamoros da época da infância, em que bastava um gostar do outro para, secretamente e sem a outra parte saber, já estarem namorando…
Pequeno Torcedor, Relvas, Anibal Freire, Heitor Lyra, (Bahiense), UFRJ. Contando parece bastante… rs