Vindo para o trabalho hoje eu me deparei com o seguinte título de livro:
A mulher que curou o seu próprio cérebro
Dá pra algo ser próprio de outra pessoa que não esteja já citada na frase?
Ela comeu o próprio cérebro. – já era dela
Ele cortou o próprio rosto. – já era dele
Ela queimou a própria casa. – de novo, era dela!
Pra que colocar o pronome possessivo?
Na minha opinião, “próprio/própria” enfatiza muito mais do que “seu próprio/sua própria”, que acaba virando algo como “elo de ligação”…
Isso me lembra uma história que uma amiga contou.
Fazendo um trabalho para a faculdade, no título entrava exatamente essa expressão, “elo de ligação”. Perguntei porque a redundância. “Pra eu ter certeza que o professor vai entender.”
Esse tipo de expressão ficou tão comum que se não usarmos os errados seremos nós.
Eu pretendo continuar não usando. Mas pretendo também me acostumar que muitos continuarão, sim, usando. E este uso será acompanhado de síncopes cardíacas e paradas respiratórias minhas cada vez que eu ouvir.
Mas enfim, sempre corro o risco de estar errada…



Então imagine o seguinte título: “Fulana, a mulher que vai curar o seu cérebro”. Você acha que ela vai curar o cérebro dela ou o seu, autora do post?
Mas eu não falei do uso ambíguo de “seu”. Falei que se você usa “próprio” não precisa usar “seu”, porque “próprio” já diz respeito à pessoa citada na frase.
Existe “seu” de outra pessoa, dependendo da construção da frase. Mas eu não consegui achar nenhuma construção onde “próprio” pudesse ser de outra pessoa.
“Fulana, a mulher que vai curar o próprio cérebro”. Acho que pode dar margem a ambigüidades…
Próprio como adjetivo, segundo meu MiniAurélio, quer dizer:
1.Que pertence ao sujeito (6).
2.Particular, natural.
3.Adequado, apropriado.
4.Exato, preciso.
5.Textual, literal.
6.Não figurado.
Acho que principalmente nos sentidos 3 e 4 poderia ensejar dúvida.
Mas deixando a forçação de barra de lado, me parece que você tenha razão… rs.