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O amor é lindo?

Todos sabem que o Valentine’s Day, o dia dos namorados nos Estados Unidos, Europa e afins, não é comemorado no mesmo dia em que comemorados o Dia dos Namorados aqui no Brasil. Eles, em 14 de fevereiro; nós, em 12 de junho.

Eles, como homenagem a Saint Valentine (dizem que remonta, na verdade, ao casamento de Zeus e Hera, o que nos deixa com mais uma tradição aham… err… pagã apropriada pelos conquistadores à qual foi atribuído novo significado), um (ou mais de um, aparentemente o nome era comum) padre mártir que ganhou essa data após a morte, em celebração ao amor entre pessoas queridas. Depois, Chaucer (sim, o poeta) resolveu que havia um amor que merecia comemoração especial nessa data, atribuindo a ela o caráter romântico, segundo a Wikipedia.

Passaram-se anos, a data foi removida do calendário católico oficial, retornou-se a prática de presentear qualquer pessoa querida (estivesse ela sendo pega ou não) e muito esforço de marketing conseguiu levá-la a outras partes do mundo que tradicionalmente nada teriam a ver com um santo católico, como o Japão.

Por aqui, continuamos com 12 de junho, talvez porque dia 13 é dia de Santo Antônio e nada como passar o dia de Santo Antônio comprometida pra fazer as pazes com a imagem e devolver-lhe o menino Jesus aos braços (acho maldade fazer isso, gente, o Jesusinho é só uma criancinha! Deixem-no nos braços do santo, pobrezinho!) ou desvirá-lo de cabeça para cima (outra maldade com o santo, aliás). Mas não escapamos nós da alegação de a data ter sido absorvida com objetivos marqueteiros, publicitários e capitalistas e essa é mais uma data que virou “do mal” pra galera do mimimi.

Tudo isso para falar que o Zoológico do Bronx, em Nova York, resolveu inovar nas inúmeras campanhas de Valentine’s Day. Você não sabe o que dar de presente para a cara-metade? Acredita que uma jóia é fria e impessoal? Está sem inspiração para escrever um poema? Quer mostrar que o amor de vocês é indestrutível da forma mais.. err.. óbvia possível?

Ela não é simpática?

Baratas. Baratas de Madagascar. Uma das mais de 50mil baratas do zoológico pode receber o nome da sua amada e ela receberá um certificado comprovando o batismo. De quebra, você ainda ajuda os parques de conservação da vida natural. E se você quiser que ela entenda BEM a ideia, ainda pode comprar uma cocoa-roach (Ahn? Ahn?), feita com o mais puro chocolate, pintada a mão e entregue em sua residência!

Sim, porque as baratas são pra sempre. E se elas sobreviveram à extinção dos dinossauros e a diversas eras do gelo, o amor de vocês consegue sobreviver a alguns percalços…

***

Namorado, nem sonhe, viu?

Cubo mágico

Quando eu comecei a trabalhar no Centro do Rio e a vir pros lados da Rua da Carioca, Cinelândia e arredores a pé (ao invés de, como antes, descer do ônibus já na Cinelândia sem nem olhar muito além do Theatro Municipal), os dois primeiros prédios que chamaram minha atenção foram o do BNDES e o da Petrobras. Cada um de um lado da ponte.
Ambos são, na minha opinião de advogada, desafios arquitetônicos/de engenharia (repito: opinião de advogada, não de arquiteta ou engenheira). O prédio do BNDES parece um pirulito gigante, com a base que o sustenta consideravelmente menor que a parte sustentada. O prédio da Petrobras eu batizei de “cubo mágico”, dadas as semelhanças.

Vão dizer que não é parecido?

Esse mesmo prédio foi eleito pelo CNN Go como um dos mais feios do mundo. Em décimo lugar. O último da lista. Mas na lista.

Sou obrigada a discordar. Não por ele ser lindo, mas porque quem o classificou dessa forma não sabe o que existe naquelas partes em que aparentemente faltam peças.

Jardins. Árvores. Pássaros. Borboletas. Flores. Bancos.
E – inestimável para quem trabalha o dia inteiro trancado dentro de um prédio – céu aberto. Sem vidros.

Pode até ser esteticamente feio, mas é reconfortante trabalhar 8h em um lugar sabendo que há um cantinho para o qual se pode fugir sempre que necessário espairecer e respirar fundo. É um luxo ao qual todos deveriam ter acesso. Humpf.

Tem uma borboleta ali no cantinho, viram?

Paredes brancas prometem diversas possibilidades. Mas paredes brancas em um apartamento alugado significam nao furar e nao pintar de cores bizarras. Preferencialmente nem encostar. O problema é que eu estava ficando deprimida de ver aquele branco todo, aquela paz toda.

A solução foi apelar pros azulejos pintados enquadrados em molduras coloridas, assim:

20120118-230135.jpg

Optei por tirar o ferrinho de pendurar, pra nao ficar tão quadro assim. Mas acho que se tivesse mantido também teria ficado legal.
Pra colar na parede, aquela fita da 3M dupla face cola tudo para uso indoor.

E o resultado foi:

20120118-230336.jpg

Fofo, né? Só faltaram uma cadeira e uma mesinha abaixo, pra parecer casa de gente grande. ;)

… e embalar as tardes de trabalho.

Começamos hoje (em uma inspiração em meu amigo Leandro, mestre na arte de agendar posts) a serie “Música de 2ª”. Com direito a áudio, vídeo e letra (nessa ordem), pra todo mundo cantar junto (ou nao) dependendo do gosto pessoal.

Na estréia, uma musica que dispensa maiores comentários. Porque, como eu já disse pra um amigo, o que importa é não esquecer de respirar.

Aqui você ouve.

Meu Caro Amigo
(Francis Hime / Chico Buarque – 1976)

Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer
Que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando…
Que, também, sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer
Que a coisa aqui tá preta

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando …
Que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer
Que a coisa aqui tá preta

Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando …
Que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer …
Que a coisa aqui tá preta

A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus.

Ninguém nega que os tempos de hoje estão mais agitados, mais tensos, mais dinâmicos. É tuiter, facebook, internet, smartphone, 3G… Tudo isso contribuiu (olha TI e telecom aí gente!) pra que cada pessoinha (desde antes de ser alfabetizado até quase a véspera do falecimento – sem falar nos que continuam depois) conquistasse seu lugar em um servidor perdido no Urzbequistão.
Com tanto espaço, sendo tão rápido o acesso e nao se tratando de recurso escasso (que justificaria limitar o número de “operadores da Internet”), obviamente os extremos de qualidade se afastam de forma proporcional ao aumento da quantidade. Dai surgem os memes, os virais e as celebridades instantâneas. E, com eles, aqueles que reclamam da suposta falta de conteúdo.
Mas eu me pergunto: será que tudo – TUDO – que precisa ser produzido na internet ou no mundo em geral precisa ser inovador, precisa mudar a vida como nós a conhecemos, precisa ser profundo? As coisas nao podem simplesmente ser inofensivamente divertidas?
Vide Michel Teló. A musica é profunda poesia? Nao. Drummond escreveu algo parecido? Bem, eu sempre encarei “Mundo, mundo, vasto mundo! Se eu me chamasse Raimundo, seria rima, não seria solução.” como uma baita de uma piada dele. Mas né? Ele morreu. Todos que morrem ficam bons, viram gênios e pretendiam falar sobre algo profundo com jogos de palavras, e nao apenas fazer graça.
Mas o que está me incomodando ultimamente é a irritação de algumas pessoas com o fenômeno “Luiza no Canadá”.
Todo mundo, toda aglomeração mais ou menos constante de pessoas, possui jargões. Vejam, por exemplo, DaniS e sua família com o tatu empalhado. Ou eu, DaniH e DaniS com o “só a bailarina que não tem”. Qual o mal de um cadinho de conhecimento particularizado engraçadinho, ainda mais no caso da Luiza que, lá do Canadá, virou apenas uma menção. Até Lenine agradeceu a presença de todos no show e lamentou a ausência de Luiza.
A única diferença entre a “Luiza no Canadá” e os jargões internos é a popularização, a perda da particularização, da internalização do conhecimento. Todo mundo agora conhece a Luiza e sabe porque ela está no Canadá, mas poucos conhecem a história do tatu empalhado…
Na boa, gente. Menos profundidade as vezes. A vida pode ser leve sem trazer de reboque uma foto do por do sol e uma frase da Clarice Lispector. Dá pra ser feliz cantando “Ai se eu te pego”, ainda mais se for em francês. ;)

Diz a sabedoria popular que a cavalo dado não se olham os dentes. Considerando que uma das formas de avaliar a saúde geral de um equino é verificar sua saúde bucal, esse ditado afirma que se você ganha um presente, não pode procurar defeitos ou reclamar do que quer que seja.

E eu estou de dieta.  Dieta daquelas normais, nada personalizadas: hipocalórica, fibras a vontade, muito líquido, exercício físico, associado a dois dias de dieta de proteína.

<em>Esclarecimento inicial: quando se fala dieta de proteína, fala-se do consumo exclusivo de proteínas e alimentos de origem animal, e não a retirada desses alimentos da ingestão diária. Continuemos</em>

A dieta de proteína é a parte bizarra. Dois dias sem beterraba, sem cenoura, sem feijão com arroz, sem purê de batata. Nunca pensei que eu fosse sentir tanta falta de beterrada, cenoura, feijão, arroz e batata, mas é isso aí. Rimã diz que dieta de proteína é ruim porque força o estômago e deixa as pessoas com mal hálito, mas a nutricionista da Dani falou pra gente fugir de carne de boi (que deve ser magra) e preferir peixes e aves, por serem mais leves.

O problema é que agora – dois meses depois do início da dieta e uns 7kg a menos em mim – a nutricionista se empolgou com o progresso da Dani (não sei exatamente qual foi, mas é visível) e resolveu que pra manter a queima no próximo período a dieta de proteína deve ser ampliada. Uma semana. Serão sete dias sem arroz, feijão, beterraba, cenoura e purê de batata, seguidos de 7 dias de recuperação, respiro e relaxamento, como um preparo para os sete dias subsequentes sem cenoura, feijão, batata, beterrada, durante um período que só Deus sabe quando acabará.

Os atentos repararam que eu falei na nutricionista da Dani e no progresso da Dani como um gatilho pra mudança na dieta. Pois é. A nutricionista é dela e a dieta é dela. Eu estou de carona. Uma carona muito da abusada, que reclama do Polenguinho light (descobri que polenguinho não é tãaaaaao bom assim quanto eu achava), do adoçante e da dieta de proteína.

Um coleguinha no trabalho disse que eu não tenho direito de reclamar, afinal, a cavalo dado não se olham os dentes. Eu ganhei a dieta sem pagar por ela, sem esforço, sem contraprestação. Por isso não estou autorizada a questionar o que quer que seja, exceto se eu começar a frequentar a nutricionista e receber dela uma dieta igual.

Mas nem se for uma bolsinha?

 

E então surge a questão do tatu empalhado. Uma antiga lenda da família da Dani conta a história de alguém que, ao participar de um amigoculto no trabalho, ganhou de presente um tatu empalhado. Sim, um tatu empalhado, produto da arte (?) da taxidermia aplicada a esse mamífero insetívoro que possui carapaça.

 

Um tempo se passou e, em um novo amigoculto, a presenteada com o tatu empalhado devolveu-o ao presenteador, em clássica infração às regras do “regiftng”, segundo a qual você até pode presentear outra pessoa com o mesmo presente, mas nunca – NUNCA -  pode devolver o presente a quem o deu a você.

No caso da dieta, tudo bem não olhar os dentes do cavalo dado. Mas, em se tratando de um tatu empalhado, até eu devolveria.

Sofá novo

Então todo mundo já sabe que eu tenho problemas com meu sofá atual. O coitado já completou 4 anos e está em um estado lastimável. Tanto que eu propus a Rimã (pra quem não sabe, é assim que eu me refiro a minha irmã) a doação do sofá dela assim que o novo que eles compraram chegar.

Mas… (e aí entra a internet e o compartilhamento de conteúdo, sobre o qual falei ontem) estou virando adepta de sites de decoração. E achei no fofíssimo d♥ a solução para os meus problemas.

Tudo começa com uma tábua e rodinhas. Essa é a base. Obviamente, rodinhas com freios, pro sofá não ficar passeando pela casa.

Pretendo esconder um tantinho mais as rodas...

 

E aí, por cima de tudo, teremos o “pillow mattress”, fazendo as vezes de almofadas.

Parece confortável, né?

A idéia é fazer dois dele, pra ficar mais fofinho. Sem contar que meu atual sofá tem uns bons 2,3m de comprimento. O bom é que vai ficar na altura exata da minha estante de TV, e eu não precisarei mais ficar escorregando no sofá pra não ficar com dor no pescoço. E – ponto alto do projeto – não quebrarem a cabeça pensando em como subir o sofá de Rimã para o meu apartamento depois de descê-lo do apartamento dela e colocá-lo sei lá em qual meio de transporte para andar 4 quarteirões.

O ruim é que eu não poderei me jogar no sofá, porque né? Madeira…

 

Posto fotos assim que implementar o projeto! Mas já percebi que esse sofá tornará necessária uma mudança radical na arrumação da sala, com a saída do buffet (snif) ou pelo menos sua ida para outra parede. Senão ele vai ser afogado pelos outros móveis.

E já aviso namorado que precisarei da ajuda dele na Léo Madeiras pra comprar a prancha! ;)

SOPA de letras

Daí que o SOPA foi arquivado. Mas o PIPA não. Por isso continuam as manifestações contrárias nessa terra de quase ninguém que é a internet.

O SOPA – Stop Online Piracy Act (e não aquele alimento líquido/pastoso feito a partir de legumes, carnes etc, normalmente ingerido em situações de doença, quando nossas mães se referem a ele normalmente no diminutivo “come pelo menos uma sopinha, minha filha”) foi proposto com o objetivo de garantir que tudo publicado/divulgado na internet o fosse com a devida autorização do titular de seus direitos, sob pena de remoção do site infrator do DNS . Ou foi o que eu entendi. E o PIPA – Protect IP Act foi proposto pelo Senado dos EUA com o mesmo objetivo.

 

O interessante é ver como cada um dos grandes atingidos com isso – pela óbvia alteração que essas propostas, se aprovadas, trarão a forma como o conteúdo é disponibilizado e acessado na internet – estão se manifestando:

Só uma notinha, sem tirar o serviço do ar.

Noooo! Mas se você for rápido consegue dar print no verbete antes que apareça esse recado.

O serviço está disponível (duhh), mas a página inicial não tem as screenshots dos blogs.

 

Eu, particularmente, acho que se o Google tivesse tirado o serviço do ar parte do mundo iria parar e a outra parte sofreria com o caos e a desordem imediatos. Vai ver o fim do mundo será assim, iniciado com o desligamento dos servidores da Google…

E viva a autorregulação (auto-regulação?)!!!

Pode ser habito de quem começou a dirigir já depois de o Código de Transito complicar a vida de quem dirige sem cinto. Ou pode ser o apego a vida e ter tido parentes atropelados, capotados, derrapados de moto. Fato é que o cinto nao só nao me incomoda como é parte da minha rotina no carro.
Mas esse vídeo, que alguém me mandou via Facebook, faz mais do que mostrar a importância do cinto. Assistam.

Há algum tempo eu falei aqui sobre a teoria da pirâmide invertida de Kelsen (o cara da Teoria Pura do Direito) e sobre como alguns institutos jurídicos ganharam nova roupagem. Após isso, criamos a coleção “Revisitando o Direito”, composta por volumes como “O direito trabalhista como uma proteção ao empregador”.

A novidade agora é um volume extra para essa coleção, uma organização de diversos artigos sobre temas variados. O primeiro deles é o recém-admitido “direito à esquizofrenia”, sobre o qual passamos a falar.

 

Direito à esquizofrenia

- Histórico
A origem do direito à esquizofrenia é vista desde o surgimento da vida coletiva. Atribui-se ao chefe do primeiro grupo humano o exercício desse direito ao decidir sacrificar jovens doentes, abandonando-os, mas não aplicando essa regra ao seu próprio rebento.

O direito à esquizofrenia está intimamente ligado ao poder exercido por uma pessoa (física ou jurídica) sobre outra, esta em posição subalterna. Encontra-se comumente na relação parental e em ambientes como a escola.

É o direito à esquizofrenia que garante ao professor, por exemplo, dizer duas coisas absolutamente contraditórias sem perder a compostura e sem ser objeto de criticas, como se observa no seguinte diálogo:

- Existem três ações possessórias atípicas: nunciação de obra nova, imissão na posse e embargos de terceiro.
- Professor, mas a ação demolitória também não teria as mesmas características dessas que você falou? Então ela também não seria uma ação possessória atípica?
- Então, como eu disse, existem diversas ações possessórias atípicas no ordenamento jurídico, não há como contabilizá-las.

Esquizofrenia. No exemplo acima, o rol é taxativo, mas não é taxativo. E por que existe o direito à esquizofrenia?

 

- Características
Retornemos ao primeiro parágrafo do trecho em que apresentamos esse instituto jurídico. Há relação de hierarquia, relação de poder, mesmo que de fato. É essa subalternidade que garante, a quem detém o poder, o direito à esquizofrenia. Trata-se de direito potestativo por essência, que não encontra resistência no outro sujeito, e ainda imprescritível, bastando que ambos os sujeitos ou, pelo menos, aquele que detém o poder, assim se qualifique.

Ou seja: o direito à esquizofrenia é exercido pelo poderoso contra o impotente independentemente de vontade deste, podendo fundar-se em justo título ou não.

Isso porque nem sempre o direito posto irá acolher a relação de subalternidade na roupagem com que se apresenta. Nesses casos, o título injusto não desclassifica o exercício do direito à esquizofrenia nem garante ao impotente o direito de a ela se opor, mas apenas lhe confere o direito – este subjetivo – de rir do poderoso.

Exemplo disso é visto nas situações de hierarquia imprópria, quando o poderoso não está direta ou indiretamente acima do impotente, mas apenas lateralmente. Nesse caso, o impotente, por prudência, se sujeita ao exercício do direito à esquizofrenia, mas sorri intimamente. A resposta do impotente varia de um mero sorriso à pirraça extrema, passando pelo clássico “você não é minha mãe”, no caso de relação parental imprópria.

Devemos ressaltar que o justo título putativo tem efeito prejudicial em relação ao impotente: se ele reconhecia a relação como justa, ainda que ela não o fosse, sua reação a ela será considerada despropositada e, por isso, punível.

Também deve ser destacada esquizofrenia com boa ou má- fé. Essa característica, igualmente, não afasta o exercício do direito, mas apenas permite ao impotente uma reação com maior ou menor potência ao tomar conhecimento da má-fé, a depender dos efeitos do exercício do direito a esquizofrenia em relação a ele. Tendo havido efeitos claramente negativos, com prejuízo à dignidade humana, a reação do impotente pode ser imediata, porém não se admite a mera ameaça.

 

- Conclusão
Em linhas gerais, observa-se que o direito à esquizofrenia é conferido ao poderoso em relações de poder, cabendo ao impotente a ele sujeitar-se ou esquivar-se. No exemplo comentado acima, esquivar-se significaria não questionar o professor. Sujeitar-se é aceitar o poder de fato exercido no caso.

 

Esse texto é fictício, não tendo se baseado em fatos reais. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência.

 

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