Eu sempre gostei de festa junina. Mas acho que comecei a gostar mais ainda depois do quadrilhão do terceiro ano, no ensino médio. Era tradição na minha escola que o 3o ano se unisse pra fazer uma mega-quadrilha, a mais louca possível, com historinha, encenação e palhaçada, desde que tivesse um trecho altamente tradicional, com os passos clássicos – era uma quadrilha de verdade.
Pra quem não sabe, eu estudei no C. E. Heitor Lira, na Penha. Formação de professores. Um colégio de meninas não por definição, mas pelo pequeno número de meninos que realmente ia pra lá por vocação (a maioria dividia-se entre o motivo pouco nobre de não ter passado pra outro lugar e o motivo ainda menos nobre de estar atrás da grande procura por homens e da pequena oferta disponível, e mesmo essa maioria era pequena se considerarmos o número total). Quando eu me formei, na escola havia 3 turnos, cerca de 20 turmas por turno e expressivos 20 homens.
O que marcou não foi a quadrilha formada basicamente por meninas. Foram duas músicas: “Pagode russo” (Ontem eu sonhei que estava em Moscou / Dançando pagode russo na boate Cossacou…), de Luis Gonzaga, e “Frevo Mulher”, do Zé Ramalho. E de todas essa última é a que faz a época de festa junina parecer de alguma forma mágica. Pode ser pelo pouco (nenhum?) sentido da letra, pode ser pelo ritmo alucinante que faz até os cabelos dançarem, eu não sei.
Sei que vai ser a minha pedida pra festa junina (julina/agostina/setembrina etc), André. Acostume-se.



