Feeds:
Posts
Comentários

Eu sempre gostei de festa junina. Mas acho que comecei a gostar mais ainda depois do quadrilhão do terceiro ano, no ensino médio. Era tradição na minha escola que o 3o ano se unisse pra fazer uma mega-quadrilha, a mais louca possível, com historinha, encenação e palhaçada, desde que tivesse um trecho altamente tradicional, com os passos clássicos – era uma quadrilha de verdade.

Pra quem não sabe, eu estudei no C. E. Heitor Lira, na Penha. Formação de professores. Um colégio de meninas não por definição, mas pelo pequeno número de meninos que realmente ia pra lá por vocação (a maioria dividia-se entre o motivo pouco nobre de não ter passado pra outro lugar e o motivo ainda menos nobre de estar atrás da grande procura por homens e da pequena oferta disponível, e mesmo essa maioria era pequena se considerarmos o número total). Quando eu me formei, na escola havia 3 turnos, cerca de 20 turmas por turno e expressivos 20 homens.

O que marcou não foi a quadrilha formada basicamente por meninas. Foram duas músicas: “Pagode russo” (Ontem eu sonhei que estava em Moscou / Dançando pagode russo na boate Cossacou…), de Luis Gonzaga, e “Frevo Mulher”, do Zé Ramalho. E de todas essa última é a que faz a época de festa junina parecer de alguma forma mágica. Pode ser pelo pouco (nenhum?) sentido da letra, pode ser pelo ritmo alucinante que faz até os cabelos dançarem, eu não sei.

Sei que vai ser a minha pedida pra festa junina (julina/agostina/setembrina etc), André. Acostume-se.

Twitter x blog

Eu adoro mal entendidos. Sempre acado fazendo um esforço mental gigantesco pra preencher as lacunas deixadas pelo interlocutor e esticar minha interpretação de forma que a máxima “na dúvida, a pessoa quis dizer o menos grave” continue aplicável. Acho que estico minha tolerância, mesmo.

Hoje tive meu primeiro mal entendido “twittado”. Originário do twitter.
Simples: deparei-me com alguém indicando que meu mini-blog é digno de ser seguido por completos desconhecidos. Senti-me honrada. Olhei a atualização mais recente deste alguém (feita logo após ele me recomendar) e lá estava: “há pessoas que twittam coisas tão interessantes mas mantém blogs onde escrevem tão mal. a pretensão é uma vadia !

Vesti a carapuça (porque não tenho intimidade pra perguntar “ei, isso foi comigo?”) e respondo no próprio blog: sim, ele é horrível! sim, eu escrevo muito mal e não sei por que raios pessoas ainda me leem (com circunflexo?)! ou melhor, sei sim: elas o fazem por serem minhas amigas ou fracas demais pra resistir à chantagem emocional diária.

Poxa, a pretensão manteve meu blog vivo por anos! Anos!
Não vai ser agora que, por uma súbita consciência de minha incapacidade literária, que eu vou desistir, né? ;)

===

Disse um namorado meu que eu era tão pretensiosa que achava que mesmo os problemas das pessoas ao meu redor eram causados por mim. Ele completou a frase dizendo “isso é o cúmulo da pretensão e eu recomendo que você pense a respeito“.
Eu pensei. Ele tinha razão.

E agora o twitteiro de plantão que fez o comentário aí em cima deve estar pensando “putz! que louca! eu nem estava falando dela!
Ou estava?

===

Aliás, vocês têm lido meu twitter? :P

Escada rolante

Leandro assumiu seu medo de cachecóis. Segundo ele (e eu copio suas palavras), um pouquinho de vontade e o nó certo e, invariavelmente, “o dono do cachecol passa à condição de vítima”. Potencialidade homicida.

Eu assumo meu medo de escadas rolantes. Na verdade, o medo não é da escada rolante. O medo é de ficar presa na escada rolante. De calça jeans, short ou qualquer outra roupa curta ou suficientemente justa eu encaro a escada rolante numa boa, sem olhar pra baixo. Mas de vestido longo ou calça com a boca um pouquinho mais larga eu fico paranóica, achando que ficarei presa e a escada continuará em movimento.

Lembrei disso no dia em que minha irmã contou ter travado a escada do Barra Shopping quando seu vestido ficou preso. Na mesma hora a escada parou, minha irmã deu um leve puxão na barra do vestido, soltando-o, disfarçou e subiu os degraus que faltavam. Atrás dela, uma mulher falou: “Escada boa essa, hein? Parou rapidinho. Uma vez eu vi uma menina ficar com o vestido preso na escada e a escada continuar funcionando…

É a modernidade.
Morreremos enforcados com nossos próprios cachecóis ou triturados pelas escadas rolantes que prenderão nossas roupas… Tudo depende da paranóia escolhida. ;)

Twitter

Eu também me rendi ao twitter.
Pensei: se até a Petrobras está lá, por que raios eu ainda não estou?

E me uni então à massa de pessoas que usa o twitter pra fazer comentários esparsos, sem sentido e que apenas comprovam (ou demonstram, pros que ainda não sabem) quão louca eu sou. Sejam bem-vindos à minha mente. :)

===

Ah sim!
Procurem-me: saritaoliveira

Teste

Sem olhar o Google, responda: onde fica Anchieta? antes ou depois de Olaria?

Como todo ano, minha empregadora mais uma vez iniciou o chamado “Prata da Casa”, concurso cultural que abrange as áreas de literatura (prosa e poesia), música (composição e interpretação), gastronomia, fotografia e pintura.

Esse ano, após ter assumido que meus contos não são aqui grandes coisas (o que dirá lá), e considerando a recente aquisição de minha Soy DSC-H50, resolvi enveredar pelo mundo da fotografia. Aliás, não resolvi; resolveram por mim. E aí? Vai se inscrever? Vamos! Poxa, até eu vou! Me ajuda a escolher a foto? O que você acha dessa? Já escolheu a sua? foram frases ditas por tantas pessoas que eu acabei me rendendo e irei me inscrever.

Há algumas semanas (talvez meses) eu tenho observado a foto perfeita ao lado da minha casa. Mas essa observação geralmente ocorre quando estou atrasada, ou quando estou arrumada demais pra ficar na posição necessária, ou quando estou sem a câmera ou mesmo uma combinação de duas ou todas essas opções. Conclusão: no máximo eu pensava “Isso daria uma foto muito legal…” e continuava, frustrada, para o trabalho.

Hoje eu acordei cedo, troquei de roupa, peguei a câmera e parti em direção à foto perfeita.
Pessoas na rua me olhavam enquanto eu regulava a ISO, ajustava velocidade de abertura e quantidade de luz que entraria (tudo pra foto não estourar). A luz estava errada, mas o tempo nublado colaborou. A foto foi tirada e a curiosidade das pessoas deve ter sido ainda mais atiçada ao ver que eu REALMENTE só queria tirar aquela foto.

Mas ela não ficou perfeita. Às 7h da manhã , a rua está sem carros. Em um domingo de manhã, às 8h30, nas proximidades de uma igreja, isso é muito a pedir. Amanhã tentaremos novamente, Pinky.

Dignidade?

A amizade não é sinônimo de dignidade.
Notem quantas piadas de mau gosto e quanto humor negro e sarcasmo os amigos usam entre si. Notem como a clássica frase “intimidade é uma m” faz sentido entre amigos.
Aos amigos se permitem certas atitudes que não aceitamos de pessoas comuns. Os amigos podem nos xingar, nos ofender; podem metafórica e literalmente bater em nós, e nós aguentamos. Eles falam mal do nosso cabelo, da nossa roupa, da nossa voz, da nossa casa, do nosso carro, da nossa letra, da frase que usamos para encerrar um texto qualquer, da disposição das coisas na nossa mesa, do tamanho do nosso prato, de nossas escolhas musicais; os amigos entram no nosso carro e mudam a regulagem o banco, aumentam (ou diminuem) o ar condicionado, trocam o cd e ainda reclamam; os amigos vêm na nossa casa, abrem a geladeira e reclamam da comida. Mas os amigos ajudam a trocar o pneu do carro enquanto riem da nossa cara e sabem exatamente o que comprar na padaria perto da nossa casa. Para os amigos contamos segredos, falamos besteira, pedimos ajuda na escolha de roupa e em como dar em cima do sexo oposto (principalmente se o sexo oposto for o mesmo sexo do amigo em questão).

E foi nisso tudo que eu pensei quando hoje à tarde, vendo um filme, ouvi a seguinte frase:

You’re hanging out with us now, buddy. Dignity has nothing to do with it.

Porque ser meu amigo implica em pagar micos constantes, eventualmente mesmo na frente de desconhecidos, algumas vezes principalmente na frente de desconhecidos. E alguns de vocês sentiram isso na pele. :)

Desde que eu entrei na faculdade tenho observado como as pessoas acham fácil entender Direito.
Não é difícil, na verdade – bastaria um pouco de dedicação, afinal até meus alunos da antiga 1a série produziram um debate incrivelmente fértil ao tratar dos Direitos Fundamentais da Criança e do Adolescente, e olha que esse não é um tema exatamente simples.

O que me choca não é a forma como as pessoas comuns lidam com os institutos jurídicos, mas a facilidade que os jornalistas têm para interpretar o Código Penal (principalmente) a seu bel prazer. Dependendo da situação, garantias fundamentais como liberdade, contraditório e ampla defesa são desprezadas, vistas como meios para garatir a impunidade. Tudo por uma boa matéria.

Hoje indo para o trabalho de táxi (lotada, na verdade) e assistindo o jornal da Record junto com o motorista (olha a violação ao Código de Trânsito…), fui obrigada a ouvir o apresentador reclamar que um motorista que atropelou pessoas em Bangu ao sair rápido demais de uma curva (ou algo parecido) não fez o teste de alcoolemia. Com desdém, ele informou que a Polícia não tinha como obrigá-lo com o argumento de que “ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo” e que não havia indícios de embriaguez.

O problema não foi a análise dos policiais. O problema não foi a situação. O problema foi a forma como ele se referiu tanto a essa garantia a todos os suspeitos/indiciados/réus quanto ao fato de o cara ter sido liberado após pagamento de fiança.

Os jornalistas tendem a achar que entendem mais do ser humano, das leis, da meteorologia, do trânsito, de engenharia e de contabilidade do que aqueles que se formaram nessas profissões. É o “estar fora da rede”. Fora da rede dos especialistas, tudo parece simples demais, e o mundo vira um amontado dualista: preto-brando, certo-errado, sim-não; dentro da rede, tudo faz sentido, e os tons de cinza se misturam, permitindo ao especialista ver nuances que o “homem médio” não enxerga. São os olhos acostumados à escuridão… ou o homem saído da caverna.

Não sei se o STF fez bem ou mal em entender que o diploma de jornalista não é mais necessário. Não analisei o voto, mas pretendo fazê-lo. Enquanto isso, sugiro que eles sejam menos levianos quando forem fazer o chamado “jornalismo popular”. O cara pode até ser pobre, mas tem o direito de saber que se algum dia ele for parado em blitz também poderá se recusar a fazer o teste do bafômetro.

Humpf.

Calvin02

Segundo algumas religiões, o momento da morte influencia o que acontecerá com sua alma (ou espírito, ou força vital, ou seja lá como vocês preferirem chamar). Se você tiver os pensamentos certos, existe esperança de apagar o que foi feito na sua vida. É o momento de redenção, que pode ser comandado por você mesmo ou por um sacerdote da religião em questão (mas que no fundo dependerá de sua vontade interna de reforma).

Sem entrar no mérito da propriedade deste entendimento (porque religião é tema por demais complexo pra ser tratado em um blog e por mim, que só poderia dar o meu ponto de vista e correria o risco de magoar desnecessariamente alguns leitores de quem eu gosto muito), tenho percebido que a própria humanidade tem se encarregado de conceder essa redenção – ainda que em caráter póstumo.

Depois de morto, todos viram anjos. O passado é apagado, os atos questionáveis são plenamente justificados ou deliberadamente esquecidos e todos começamos a lembrar apenas das coisas boas.

Isso pode ser encarado de duas formas:

a) a morte traz a compaixão – a maioria de nós sente pena dos que morreram e começa a rever o rancor, a raiva, o ódio pelo fato de a pessoa estar em condição diferente da nossa (uma vez que morreu); e

b) os advogados, promotores e defensores fazem bem em apelar pra emoção dos jurados no Tribunal do Júri, uma vez que é a emoção que os fará decidir pela culpa ou inocência, e não apenas os fatos.

Mas por que a idéia da “reasonable doubt”, tão explorada nos julgamentos, não é utilizada no dia-a-dia por todos? Na dúvida, que utilizemos a melhor interpretação possível pros atos! Na dúvida, que a pessoa seja inocentada!
Ah mas aí não existiriam os boatos – e muita gente não teria mais sobre o que escrever nos blogs…

Mensagens Antigas »